
O senador Rogério Marinho (PL-RN) anunciou sua desistência da pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Norte para apoiar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), numa movimentação estratégica focada no eleitorado do Nordeste. Segundo as pesquisas mais recentes, Flávio tem entre 12% e 18% das intenções de voto nessa região, tradicionalmente dominada pelo PT. Ex-ministro do governo Jair Bolsonaro e um dos líderes da oposição no Senado, Marinho decidiu mudar seus planos a pedido do presidente Bolsonaro, que está preso em Brasília e escolheu o filho para concorrer à presidência da República.
Na quarta-feira (21), Marinho declarou que essa decisão resultou em noites mal dormidas, mas que não podia recusar o pedido feito pelo presidente. Ele era a principal aposta do PL para o governo do Rio Grande do Norte, cuja administração é atualmente do PT, e agora vai integrar a pré-campanha de Flávio, colaborando na coordenação da candidatura presidencial. Autoridade importante dentro do bolsonarismo, Marinho disputou em 2023 a presidência do Senado, sendo derrotado por Rodrigo Pacheco (PSD). O senador anunciou que apoiará a pré-candidatura de Álvaro Dias (Republicanos), ex-prefeito de Natal, para o governo do RN.
Flávio Bolsonaro agradeceu o suporte publicamente, destacando Rogério Marinho como um dos políticos mais preparados e competentes do país. Ele afirmou estar ciente de que a decisão do senador poderia causar apreensão entre os apoiadores, mas ressaltou a importância dessa escolha para o Brasil e garantiu que trabalharão juntos em todo o país, beneficiando ainda mais o Rio Grande do Norte.
Quanto ao desempenho eleitoral, a pesquisa Quaest divulgada em janeiro mostra que Flávio Bolsonaro possui intenção de voto entre 12% e 18% no Nordeste, região onde o presidente Lula (PT) mantém forte liderança, com percentuais que variam de 62% a 65%, dependendo dos adversários. A região Nordeste foi decisiva nas duas últimas eleições presidenciais, elegendo candidatos do PT em 2018 e 2022, com apoio maciço que foi fundamental para as vitórias de Fernando Haddad e Lula, respectivamente. Enquanto Jair Bolsonaro venceu em outras regiões em 2018, Lula garantiu sua reeleição em 2022 impulsionado pelo desempenho excepcional no Nordeste, que continua sendo o principal reduto político do PT.