
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026, conforme divulgado no relatório Perspectivas Econômicas Mundiais (World Economic Outlook – WEO), publicado em 19 de junho. Segundo o organismo internacional, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá crescer 1,6% em 2026, resultado inferior à estimativa anterior de 1,9%, divulgada em outubro do ano passado.
Apesar do ajuste negativo para 2026, o FMI demonstrou maior otimismo em relação a 2027, elevando a projeção de crescimento do país de 2% para 2,1%, sinalizando uma possível retomada gradual da atividade econômica a partir da flexibilização das condições monetárias.
A projeção do FMI é considerada mais conservadora do que as estimativas oficiais do governo brasileiro. O Ministério da Fazenda trabalha com uma expansão de 2,4% do PIB em 2026, enquanto o Banco Mundial projeta crescimento de 2%, após ter feito uma revisão negativa de 0,2 ponto percentual em suas previsões mais recentes.
De acordo com a vice-diretora do Departamento de Pesquisa do FMI, Petya Koeva Brooks, a revisão para baixo reflete principalmente os efeitos prolongados da política monetária restritiva no Brasil. Em dezembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, patamar considerado elevado e que tende a frear investimentos, consumo e crédito, especialmente nos setores mais sensíveis aos juros.
Segundo Brooks, o desempenho abaixo do esperado observado em segmentos como construção civil, indústria e consumo durável durante a segunda metade de 2023 ainda exerce influência negativa sobre a atividade econômica projetada para 2026. Esses setores costumam responder com defasagem às decisões de política monetária, o que explica o impacto persistente dos juros elevados.
No entanto, o FMI avalia que esse cenário deve começar a se reverter a partir de 2027, com a expectativa de início de um ciclo de redução dos juros pelo Banco Central, além da adoção de medidas fiscais e de estímulo ao consumo por parte do governo. Entre elas, o relatório cita iniciativas como a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil, que pode contribuir para aumentar o poder de compra das famílias e impulsionar a demanda interna.
No contexto internacional, o FMI revisou para cima a projeção de crescimento da economia global em 2026, que passou de 3,1% para 3,3%. O relatório destaca que o aumento dos investimentos em tecnologia, especialmente em inteligência artificial, tem ajudado a compensar parte dos efeitos negativos do ambiente comercial mais restritivo, marcado por elevação de tarifas e tensões comerciais, principalmente envolvendo os Estados Unidos.
Para a América Latina e o Caribe, a previsão de crescimento é de 2,2% em 2026, com aceleração estimada para 2,7% em 2027. Segundo o FMI, essa melhora ocorre à medida que as economias da região se aproximam de seu potencial produtivo, após anos de desaceleração e ajustes fiscais e monetários.
Assim, o corte na projeção de crescimento do Brasil para 2026 reflete os desafios domésticos impostos pelo alto custo do crédito e pela desaceleração da demanda, em um cenário global ainda marcado por incertezas. Ainda assim, o FMI aponta sinais de recuperação gradual no médio prazo, condicionados à queda dos juros, ao avanço de reformas estruturais e à retomada dos investimentos.