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Foliões celebram carnaval no Marco Zero até o amanhecer com frevo e maracatu
18 de fevereiro de 2026 / 11:20
Foto: Divulgação

No encerramento oficial do carnaval do Recife, realizado no Marco Zero, um público perseverante e disposto enfrentou a chuva e permaneceu festejando até o amanhecer entre a noite da terça-feira (17) e a quarta-feira de cinzas (18). Mesmo sob condições climáticas adversas, milhares de foliões demonstraram entusiasmo e resistência, reafirmando a força de uma das festas populares mais emblemáticas do país.

A programação contou com apresentações marcantes de Alceu Valença, Elba Ramalho e do Maestro Spok, acompanhado de seu tradicional Orquestrão. Como já se tornou habitual, o maestro foi responsável por encerrar a celebração do frevo por volta das 4h da manhã, mantendo viva uma tradição aguardada a cada ano. Também subiram ao palco nomes como Nena Queiroga e Geraldo Azevedo, que enriqueceram ainda mais a programação com repertórios que emocionaram o público.

Ao iniciar sua apresentação às 2h30, Maestro Spok declarou com entusiasmo: “Aqui é o Orquestrão e é frevo puro. Quem não aguentar, pode ir dormir, porque a gente vai até de manhã”. A frase arrancou aplausos e sintetizou o espírito da noite. Mesmo diante de uma chuva intensa por volta das 3h30, o público permaneceu firme, dançando e cantando, demonstrando que a tradição fala mais alto que qualquer adversidade climática.

Em 2026, o Orquestrão do Frevo celebrou vinte anos de apresentações no Marco Zero, consolidando-se como um dos momentos mais aguardados do carnaval recifense. A edição contou com convidados especiais como Lucy Alves, a banda Som da Terra, além de ícones do frevo como Maestro Duda e Maestro Edson Rodrigues. Segundo Spok, esses mestres são fundamentais para preservar e fortalecer essa expressão cultural, transmitindo conhecimento e paixão às novas gerações.

A festa teve início com o tradicional Encontro de Maracatus de Baque Solto, reunindo onze nações que apresentaram a riqueza do maracatu em suas duas modalidades — baque solto e baque virado. Grupos como Maracatu Piaba de Ouro, Cambindinha, Leão do Norte e Leão Vencedor mostraram a força das tradições afro-brasileiras, com seus ritmos marcantes, figurinos vibrantes e performances carregadas de simbolismo.

O carnaval foi marcado por momentos de grande emoção, como o show intimista de Geraldo Azevedo e as interpretações contagiantes de Elba Ramalho, que homenageou importantes artistas da música brasileira. Alceu Valença encerrou a noite com uma performance emocionante de “Anunciação”, transformando o Marco Zero em um grande coro coletivo e simbolizando a despedida da festa, já deixando no ar a expectativa pela próxima edição.

A tradição se fortalece a cada ano, representada por famílias como a da professora Rosemary Mendes, que levou o filho para vivenciar de perto a cultura pernambucana e compreender a importância histórica do frevo. Um espetáculo de fogos de artifício anunciou o início da apresentação do Orquestrão do Frevo, ressaltando o vigor e a resistência dessa manifestação cultural.

Para encerrar, Maestro Spok caminhou com parte da orquestra entre o público e reafirmou: “O frevo resiste”. A mensagem ecoou como um manifesto de pertencimento e identidade, destacando o protagonismo dessa expressão cultural no carnaval do Recife e reforçando a necessidade de manter viva essa tradição para as futuras geraações.

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