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Fuga dos 300%: O fator matemático que fez o mercado de consórcios na Paraíba faturar em 4 meses o ano inteiro
24 de maio de 2026 / 14:11
Foto: Divlugação

O cenário macroeconômico de juros básicos elevados e o consequente encarecimento do crédito bancário tradicional estão redesenhando de forma profunda os hábitos de consumo e investimento na Paraíba. Diante de financiamentos habitacionais e automotivos proibitivos, uma fatia expressiva de famílias e investidores paraibanos encontrou no sistema de consórcios o prumo ideal para dar continuidade aos seus planejamentos patrimoniais. Essa mudança comportamental vem injetando forte liquidez no mercado local e acelerando a expansão de administradoras de cartas de crédito de ponta a ponta do estado.

O avanço verificado em território paraibano acompanha uma robusta tendência de tração nacional chancelada pelos balanços da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). Em âmbito federal, o sistema movimentou um volume histórico de R$ 467 bilhões no acumulado entre janeiro e novembro do último ano, o que representa um salto geométrico de 31,9% na comparação direta com o mesmo intervalo de 2024.

O peso da Selic e o custo do dinheiro no bolso do consumidor

A engenharia financeira por trás dessa migração de carteira é explicada pelo economista Alexandre Nascimento. De acordo com o especialista, o patamar da taxa Selic atua como o principal catalisador do processo, uma vez que o aumento do custo primário do dinheiro deteriora o poder de compra e restringe as margens de aprovação das instituições bancárias tradicionais.

“A taxa Selic elevada tornou o financiamento de imóveis e veículos menos atrativo, enquanto o consórcio ganha força por não cobrar juros, operando apenas com taxas de administração diluídas. É esse cenário que explica o forte crescimento da modalidade no médio e longo prazo”, pontua Nascimento.

Na prática, as regras de concessão mais severas e as parcelas infladas pelos juros compostos empurraram o consumidor em direção a modelos de autofinanciamento considerados mais sustentáveis e previsíveis sob a ótica do fluxo de caixa familiar.

Paraíba assume a vice-liderança em expansão no Nordeste

Dentro do ecossistema regional, o Nordeste tem ampliado sistematicamente sua participação no bolo nacional de consórcios, e a Paraíba desponta como um dos motores dessa arrancada. Os dados consolidados da ABAC revelam que o estado registrou um salto estrutural ao passar de 75.463 cotas ativas para 90.418, cravando uma expansão de 19,8%.

Essa performance assegura à Paraíba a segunda posição no ranking de crescimento proporcional de toda a região Nordeste, superando praças robustas e ficando atrás apenas do Rio Grande do Norte:

EstadoCrescimento Proporcional (%)
Rio Grande do Norte21,1%
Paraíba19,8%
Maranhão13,4%

O economista Alexandre Nascimento associa o dinamismo paraibano diretamente ao ciclo de ouro vivido pelo mercado imobiliário local. Cidades como João Pessoa e o polo de Campina Grande vêm operando como verdadeiros ímãs de capital, atraindo compradores de outros estados da federação e investidores do exterior. Esse fluxo migratório e de repatriação de divisas eleva a procura por modalidades de crédito imobiliário que não corroam a rentabilidade dos ativos no momento da aquisição.

Racionalidade e boom de faturamento nas administradoras locais

Para além das pressões da tabela Selic, a evolução dos índices de educação financeira tem desempenhado um papel tático no comportamento do paraibano. Adriano Fonseca, gestor da Ademicon em João Pessoa, enfatiza que o consumidor de hoje realiza uma análise muito mais analítica e comparativa antes de assinar contratos de longo prazo.

Em termos de projeção matemática, Fonseca alerta que os juros embutidos em um financiamento imobiliário padrão de 30 anos podem fazer com que o comprador desembolse até três vezes o valor de avaliação original do bem. No consórcio, a ausência de capitalização de juros reduz drasticamente o custo final da carta de crédito, mesmo com as correções anuais por índices de inflação do setor (como o INCC).

O reflexo prático dessa percepção matemática já se traduz em recordes operacionais nas tesourarias das empresas. Segundo dados da unidade local da Ademicon, o volume de faturamento alcançado apenas nos quatro primeiros meses do ano atual igualou a receita global computada em todo o ano anterior, evidenciando que o consórcio rompeu a barreira da alternativa secundária para se consolidar como peça estratégica de planejamento de safra, blindagem patrimonial e diversificação de investimentos na Paraíba.

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