
A indústria automobilística chinesa apresentou resultados expressivos em 2025, marcando uma mudança significativa no ranking dos veículos mais vendidos. Pela primeira vez desde os anos 1980, o modelo líder de vendas não pertence a uma marca estrangeira tradicional, nem à BYD ou Tesla. O Geely Xingyuan, conhecido no Brasil como Geely EX2, assumiu a liderança anual na China, confirmando o fortalecimento das marcas locais no mercado nacional.
De acordo com a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM), a produção total de veículos no país atingiu 34,53 milhões de unidades, um aumento de 10,4% em relação a 2024. As vendas acompanharam o ritmo, com 34,4 milhões de veículos comercializados, crescimento de 9,4%. Esse é o terceiro ano seguido em que a China supera a marca dos 30 milhões de veículos produzidos e vendidos, consolidando-se como o maior mercado automobilístico do mundo pelo 17º ano consecutivo.
O avanço foi impulsionado principalmente pelos veículos eletrificados, beneficiados por incentivos governamentais à renovação da frota e pela consolidação das montadoras nacionais. A produção de veículos de nova energia (NEVs), que inclui carros elétricos e híbridos plug-in, chegou a 16,63 milhões, enquanto as vendas alcançaram 16,49 milhões, representando aumentos anuais de 29% e 28,2%, respectivamente. A China mantém a liderança mundial nesse segmento pelo 11º ano seguido.
Apesar de um dezembro menos expressivo, a China reafirmou sua posição como maior exportadora mundial de automóveis, com 7,1 milhões de unidades exportadas, alta de 21,1% sobre 2024. O desempenho destacável inclui bons resultados das joint ventures instaladas no país.
A BYD continuou sendo a maior fabricante chinesa, com vendas superiores a 4,6 milhões de veículos, porém enfrentou uma retração de 11,7%, reflexo da intensa disputa por preços no setor. Modelos populares como Seal, Song Plus, Tang, Han e Yuan Plus perderam vendas, principalmente no segundo semestre, embora os lançamentos Sealion 06 e Seal 05 tenham ajudado a mitigar a queda.
Em contrapartida, a Geely foi a grande vencedora do ano, aumentando sua produção em 66%. A montadora ultrapassou Volkswagen e Toyota, alcançando a posição de segunda maior empresa do setor no país e liderando várias vezes as vendas mensais. O sucesso vem da submarca Galaxy, especializada em veículos eletrificados, e principalmente do hatch Xingyuan (EX2), líder do ranking anual.
A Volkswagen, por sua vez, sofreu queda de 8%, refletindo a crise enfrentada pelas joint ventures estrangeiras. Mesmo somando os resultados das empresas FAW-Volkswagen, SAIC-Volkswagen e Volkswagen Anhui, a marca alemã ficou atrás na disputa pela liderança.
Além disso, 2025 foi um ano de expansão para novos protagonistas. A Leapmotor cresceu 83,9%, a Xpeng avançou 119,7%, e a Xiaomi consolidou sua entrada no mercado automotivo com mais de 410 mil unidades vendidas. A Fangchengbao, controlada pela BYD, teve aumento espetacular de 213,1%, contribuindo para aliviar a retração da matriz. Novas fabricantes como a Firefly, que iniciou operações em abril, também se destacaram entre os lançamentos de maior sucesso.
No ranking dos veículos mais vendidos, o Geely Xingyuan (EX2) finalizou 2025 na liderança, com 465.775 unidades comercializadas no varejo. Em seguida, aparecem o Wuling Hongguang Mini EV e o Tesla Model Y. Outro destaque foi o Xiaomi SU7, que estreou no Top 10 em seu primeiro ano completo de vendas. O SUV Xiaomi YU7, lançado em julho, ultrapassou 150 mil unidades vendidas, competindo diretamente com o Model Y nos últimos meses do ano.
Com esses resultados, a China reafirma sua predominância no setor automotivo mundial, impulsionada pela força das marcas locais e pela crescente demanda por veículos eletrificados.