
A Escola Afro-brasileira Maria Felipa, pioneira na educação infantil com foco antirracista no Brasil, inicialmente anunciou o encerramento de suas atividades em Salvador. No entanto, as sócias-fundadoras do projeto, a escritora Bárbara Karine e a especialista em Economia Criativa Maju Passos, confirmaram a continuidade da escola graças a um investimento significativo de um artista baiano e antirracista. Este anúncio representa uma reviravolta importante para a instituição que enfrentava dificuldades para se manter.
Após uma mobilização realizada pelos profissionais da escola na quinta-feira (8), o artista entrou em contato demonstrando total apoio para que a escola não fechasse as portas. Diante dessa ajuda, as gestoras começaram a reavaliar possibilidades para a manutenção das atividades. A instituição passará a funcionar oficialmente por meio do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) do Instituto Brasileiro Maria Felipa, criado em 2023 pelas próprias fundadoras do colégio.
O investimento aportado pelo artista foi da ordem de R$ 400 mil, quantia que ajudará a cobrir parte das despesas necessárias para retomar as atividades em 2026. Para atingir o orçamento total requerido, a escola ainda precisa arrecadar mais R$ 200 mil. Atualmente, metade dos alunos da instituição são bolsistas, o que reforça a importância da captação de recursos para garantir a continuidade do projeto. Para isso, as fundadoras abriram uma vaquinha online para complementar o orçamento.
Pensando em garantir a sustentabilidade da escola no longo prazo, Bárbara Karine revelou que a gestão pretende contratar um profissional exclusivamente para a captação de recursos e também buscar alternativas governamentais para manter a instituição. O objetivo é transformar a escola em uma entidade comunitária, que funcione sem custo para os alunos e seja sustentada por financiamentos filantrópicos nacionais e internacionais.
Apesar dos desafios financeiros enfrentados, as gestoras aproveitaram para agradecer a todos que contribuem financeiramente, incluindo famílias que seguem pagando mensalidades e doações recorrentes. O anúncio do possível fechamento da escola em Salvador ocorreu na quarta-feira (7) após mais de nove anos de atuação, sendo sete deles com anos letivos regulares. Más decisões financeiras e problemas emocionais afetaram as fundadoras, que investiram mais de R$ 1 milhão em recursos pessoais tentando manter a escola aberta.
Por fim, Bárbara e Maju ressaltaram o vínculo simbólico com Salvador e a Bahia, terra da heroína Maria Felipa, que inspira o nome e a metodologia pedagógica da instituição. Embora a continuidade no momento esteja assegurada graças ao investimento, as fundadoras não descartam a possibilidade de, no futuro, reavivar o projeto com outra conjuntura financeira. Atualmente, o projeto seguirá firme através da unidade do Rio de Janeiro, que apresentou crescimento e aponta para autossuficiência financeira.