
A decisão do presidente Donald Trump de atacar o Irã trouxe novos riscos significativos para a oferta global de petróleo. Com uma produção diária de cerca de 3,3 milhões de barris, o Irã representa aproximadamente 3% da produção mundial, posicionando-se como o quarto maior produtor da Opep. Entretanto, a influência do país sobre o abastecimento energético global é ainda maior devido à sua localização estratégica. O Irã situa-se às margens do Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado mundialmente, proveniente de grandes produtores como Arábia Saudita e Iraque.
No fim do fim de semana, enquanto os mercados de petróleo estavam fechados, não havia informações iniciais sobre danos a ativos energéticos causados pelos ataques ao Irã. Contudo, a agência estatal iraniana Tasnim anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz por razões de segurança. A Guarda Revolucionária iraniana emitiu alertas para diversas embarcações na região, destacando que, devido às condições inseguras geradas pela agressão militar dos Estados Unidos e Israel e às respostas do Irã, a passagem pelo estreito está atualmente insegura. Em resposta, a Administração Marítima dos EUA recomendou que navios comerciais evitem o Golfo Pérsico, incluindo o Estreito de Ormuz. No Reino Unido, a UK Maritime Trade Operations confirmou relatos de embarcações notificadas sobre o fechamento da rota.
Esta passagem, localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é controlada pelo Irã e é crucial para o escoamento de cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente, além de ser fundamental para o transporte de gás natural liquefeito, representando aproximadamente um quinto do comércio mundial de GNL. A interrupção no Estreito de Ormuz pode causar uma redução na oferta global de petróleo, pressionando para cima os preços do barril, o que pode impactar a inflação mundial via aumento dos custos de energia e transporte, repercutindo também nos preços de alimentos e insumos industriais.
O Irã mantém uma produção significativa, em torno de 3,3 milhões de barris diários, mesmo diante das sanções internacionais vigentes. O país tem direcionado cerca de 90% de suas exportações para a China, contornando restrições com maior eficiência. Seus maiores campos petrolíferos incluem Ahvaz, Marun e o complexo West Karun, na província de Khuzestan. A principal refinaria fica em Abadan, com capacidade para processar mais de 500 mil barris por dia, complementada por outras instalações relevantes em Bandar Abbas, Persian Gulf Star e na capital Teerã.
Para as exportações, o terminal da Ilha de Kharg, situado no Golfo Pérsico, é o principal centro logístico iraniano, possuindo múltiplos pontos de carregamento e capacidade de armazenamento de dezenas de milhões de barris. Recentemente, uma explosão foi registrada na ilha, sem maiores detalhes revelados. A maior parte das exportações iranianas é realizada por uma frota de petroleiros mais antigos, que frequentemente navegam com transponders desligados para evitar rastreamento.
Quanto à reação dos mercados, na tensão em junho, os preços do petróleo atingiram sua maior alta em mais de três anos, com o Brent superando US$ 80 por barril em Londres. Embora o aumento tenha perdido força devido à ausência de danos estruturais, os preços do petróleo apresentam alta acumulada de 19% em 2026, impulsionada pelo medo de ataques americanos contra o Irã. Economistas apontam que, historicamente, a queda de 1% na oferta global tende a aumentar os preços em cerca de 4%. Diante deste cenário complexo e dinâmico, a guerra EUA-Irã segue sendo um fator de destaque no mercado de petróleo e no comércio mundial.