
O impacto da guerra no Irã já começa a afetar o Brasil, especialmente o setor aéreo. Segundo levantamento do buscador Viajala, o preço médio das passagens aéreas em rotas nacionais teve um aumento de cerca de 15% nos últimos dias. Este crescimento nos valores ocorre em meio à escalada da crise no Oriente Médio, que provocou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crucial no transporte global de petróleo. O aumento no custo do combustível de aviação, que representa uma parcela significativa do preço das passagens, influencia de forma direta as tarifas cobradas pelas companhias aéreas.
A análise da Viajala levou em consideração cerca de 400 mil buscas realizadas entre fevereiro e março, comparando os preços antes e depois da intensificação do conflito. Normalmente, após o Carnaval, espera-se queda nas tarifas, mas houve uma inversão dessa tendência. Destinos nacionais como São Paulo apresentaram aumento expressivo — 36% de subida no preço médio, chegando a R$ 1.338 para voos de ida e volta. Recife também registrou alta de 22%, com passagens médicas em torno de R$ 1.497.
Outras capitais acompanharam essa elevação dos preços, com o Rio de Janeiro subindo 11%, Fortaleza e Salvador com aumentos médios de 14%. As maiores companhias aéreas do país também sentiram o impacto: a Azul teve aumento médio de 13,5%, a LATAM de 15% e a Gol, de 17%. Essa mudança contrasta com o cenário anterior à crise, quando os preços vinham caindo ou permanecendo estáveis, conforme o comportamento esperado pós-Carnaval.
O principal motivo para essa alta é o reajuste do preço do querosene de aviação, que teve um aumento de cerca de 9,4% no Brasil, conforme anunciado pela Petrobras no início de março. Esse reajuste decorre da pressão internacional gerada pelo conflito na região do Irã. No âmbito global, as companhias aéreas começaram a repassar esses custos adicionais aos passageiros. Empresas como Air France-KLM incluíram sobretaxas em voos internacionais, e outras, como SAS, Qantas e Aerolíneas Argentinas, também adotaram medidas parecidas.
Especialistas indicam que, devido à incerteza sobre o tempo que o conflito pode durar, os reajustes nos preços das passagens aéreas podem se prolongar. Assim, a recomendação para os consumidores com viagens futuras é garantir a compra antecipada para tentar evitar futuras elevações nas tarifas. Portanto, a guerra no Irã já é um fator determinante para o aumento do custo das passagens aéreas no Brasil.