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Habitat Marte no RN integra ciência espacial e cultivo de tomates
9 de dezembro de 2025 / 18:34
Foto: Divulgação

O Habitat Marte, uma estação de simulação espacial situada em Caiçara do Rio do Vento, interior do Rio Grande do Norte, realizou um experimento de cultivo de tomates em uma estufa isolada que utiliza reúso de água e geração de energia solar. Esta estrutura foi projetada para reproduzir as condições das missões tripuladas ao planeta Marte, destacando o potencial de integração entre pesquisa espacial e produção agrícola em ambientes extremos. O projeto envolve a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), unindo esforços em pesquisa universitária, política espacial e desenvolvimento tecnológico para o semiárido brasileiro.

A Embrapa contribui com seu conhecimento em cultivo protegido, manejo de solo e automação agrícola, enquanto a UFRN coordena a operação científica e logística do Habitat. A AEB apoia institucionalmente o projeto dentro da política espacial brasileira, reforçando o Habitat Marte como um espaço de experimentação para tecnologias sustentáveis, aplicáveis tanto em futuras colônias espaciais quanto na adaptação produtiva das condições adversas do semiárido nordestino.

Idealizado pelo professor Júlio Rezende e coordenado pela UFRN, o Habitat Marte está localizado a cerca de 100 km de Natal, simulando vida em Marte com trajes pressurizados, reciclagem de água, produção de energia solar e cultivo em estufas adaptadas ao clima e solo da Caatinga. Inspirado na estação Mars Desert Research Station dos Estados Unidos, o projeto já realizou mais de 200 missões desde 2017, com equipes multidisciplinares nacionais e internacionais.

Desde 2021, a Agência Espacial Brasileira apoia institucionalmente o Habitat, alinhando o projeto às diretrizes da política espacial do país e conectando-o a redes internacionais e ao Programa Artemis da Nasa. Em novembro, a Missão 226 marcou a participação formal da Embrapa na primeira missão espacial análoga, com experimentos agrícolas focados em ambientes com escassez hídrica, radiação elevada e solo não fértil. Pesquisadores da Embrapa Hortaliças e Agricultura Digital conduziram experimentos com tomates e tecnologias digitais, além de avaliar a adaptação dessas técnicas em hortas comunitárias locais.

Os responsáveis destacam que os sistemas de cultivo testados no Habitat Marte, com reúso de água, manejo racional de nutrientes e controle climático, podem ser adaptados para aumentar a produção sustentável em zonas de baixa disponibilidade hídrica, contribuindo para políticas públicas de segurança alimentar e convivência com o semiárido. A coordenadora da Rede Space Farming Brazil destaca o duplo impacto do projeto ao gerar conhecimento para o setor espacial e oferecer soluções práticas para populações vulneráveis às mudanças climáticas.

Além disso, a missão incluiu protocolos de bem-estar e saúde física e mental dos participantes, com a inclusão de práticas de hatha yoga para ambientes de isolamento e estresse, alinhadas a protocolos adotados por agências espaciais em missões reais. Essas atividades, baseadas em simulações de confinamento, falhas e emergências, poderão ser replicadas em outras missões análogas no Brasil, fortalecendo a pesquisa e inovação em ambientes extremos.

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