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Habitat protegido no Delta do Parnaíba para menor tamanduá do mundo
3 de fevereiro de 2026 / 20:26
Foto: Divulgação

No litoral do Piauí, comunidades do Delta do Parnaíba trabalham na preservação do habitat do tamanduaí, considerado o menor tamanduá do mundo, por meio do plantio de mudas nativas em áreas de restinga. Aproximadamente 600 mudas foram cultivadas nas comunidades Cal, Baixão e Pantanal, e aplicadas na recuperação de cerca de 30 hectares de restinga nas zonas de amortecimento do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, em Barreirinhas, Maranhão. Essas áreas funcionam como proteção ambiental ao redor da unidade de conservação, reduzindo impactos externos.

O Delta do Parnaíba, junto aos Lençóis Maranhenses, é reconhecido como um dos principais habitats do tamanduaí no Nordeste brasileiro. A iniciativa, iniciada em dezembro do ano passado, é financiada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em parceria com o Instituto Tamanduá, e conta com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o envolvimento direto das comunidades locais. Para garantir a continuidade do projeto, está prevista a criação de um viveiro de mudas em Atins, Maranhão.

O tamanduaí é uma espécie rara, pouco conhecida e solitária, que possui hábitos noturnos e vive em árvores. Com cerca de 30 centímetros e até 400 gramas, habita ecossistemas de manguezais e restingas no Nordeste desde o Delta do Parnaíba até os Lençóis Maranhenses. Classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como “dados deficientes”, a espécie ainda carece de estudos aprofundados. Pesquisas genéticas indicam que os tamanduaís do Delta do Parnaíba estão isolados da Amazônia há cerca de 2 milhões de anos, tendo evoluído de forma independente.

A presença do tamanduaí na região foi identificada a partir do alerta feito em 2008 pelo guia turístico Pedro da Costa Silva, conhecido como Pedro Holandês, da Ilha Grande de Santa Isabel. Reconhecendo o animal em uma reportagem, ele contatou pesquisadores que, a partir de registros fotográficos e expedições, confirmaram a existência da espécie no litoral piauiense, especialmente em áreas de manguezais, restingas e florestas de cajueiros. Assim, o Delta do Parnaíba foi consolidado como um dos habitats mais importantes do tamanduaí no Nordeste.

A restinga, ainda pouco conhecida, é um ecossistema vital para a proteção do litoral brasileiro, atuando na preservação dos lençóis freáticos e servindo como barreira contra a erosão e o avanço do mar. Especialistas ressaltam que a degradação da restinga e dos manguezais prejudica diretamente o tamanduaí e outras espécies dependentes desses ambientes, além de aumentar a vulnerabilidade das comunidades costeiras. Portanto, a recuperação da restinga é fundamental para o equilíbrio ambiental da região e para a conservação do menor tamanduá do mundo.

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