
O Ibovespa iniciou a sessão de segunda-feira, 2, em queda, refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados globais após a intensificação do conflito geopolítico entre Estados Unidos e Irã. Apesar do movimento negativo, as perdas foram parcialmente amenizadas pela forte alta das cotações futuras do petróleo no mercado internacional e pela valorização do minério de ferro na China.
O principal índice da bolsa brasileira, a B3, sentiu o impacto de um cenário internacional tenso em uma semana que traz importantes divulgações econômicas, como o PIB do Brasil e o payroll dos Estados Unidos. Mesmo assim, o avanço próximo a 9% do petróleo Brent em Londres beneficiou ações do setor petroleiro, auxiliando na contenção de uma queda mais acentuada do Ibovespa.
O receio de um bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz — rota crucial por onde circula mais de 20% do petróleo consumido mundialmente — aumentou as preocupações com uma inflação mais elevada e uma política monetária global rigorosa. Analistas apontam que o preço do barril de petróleo pode alcançar US$ 100 caso as tensões persistam.
Conforme avalia o economista sênior da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, “O Ibovespa deve prolongar a correção registrada na última sexta-feira, quando fechou pouco abaixo dos 189 mil pontos. Por outro lado, ações relacionadas a empresas petrolíferas, como a Petrobras, tendem a se beneficiar do avanço da commodity.”
A aversão ao risco também impulsionou a alta do dólar frente a diversas moedas, incluindo o real, e elevou os juros futuros. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estimou que a operação militar contra o Irã pode durar cerca de quatro semanas, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, indicou uma intensificação dos ataques. O confronto chegou ao ápice com a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, aumentando as incertezas sobre a extensão e impacto do conflito.
Embora o Ibovespa tenha caído para a faixa dos 186 mil pontos durante a manhã, o ritmo da queda diminuiu depois. Poucas ações apresentavam valorização, principalmente as ligadas ao setor de petróleo. Entre as maiores altas estavam Prio e Petrobras, enquanto papéis mais sensíveis ao ciclo econômico, como Magazine Luiza, MRV, Cyrela e Cogna, lideravam as perdas.
Por volta das 10h17, o Ibovespa recuava 0,48%, alcançando 187.867 pontos, após atingir o menor nível do dia em 186.961 pontos. Na última sexta-feira, o índice fechou em queda de 1,16%, encerrando fevereiro com uma valorização acumulada de 4,08%.