
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) intensificou as ações de educação ambiental, fiscalização e diálogo com operadores de turismo em Fernando de Noronha após mais um incidente envolvendo a interação entre humanos e fauna marinha. A medida foi adotada depois que a advogada Tayane Dalazen foi mordida por um tubarão-lixa durante um mergulho realizado na sexta-feira, 9 de junho, na área em frente à Associação Noronhense de Pescadores (Anpesca), no Porto de Santo Antônio, uma das regiões mais movimentadas do arquipélago.
Este foi o quarto caso de mordida registrado em apenas três meses, o que acendeu um alerta entre as autoridades ambientais responsáveis pela gestão da unidade de conservação. Após o incidente, a turista foi encaminhada ao Hospital São Lucas, onde recebeu atendimento médico, medicação e passou por avaliação clínica. Sem complicações graves, ela foi liberada e retornou para São Paulo no domingo, dia 11.
Em nota, o ICMBio reforçou que alimentar tubarões ou qualquer animal silvestre é uma prática irregular e altamente prejudicial, pois altera o comportamento natural das espécies. Segundo o instituto, esse tipo de conduta faz com que os animais passem a associar a presença humana à oferta de alimento, o que aumenta significativamente o risco de acidentes, tanto para os visitantes quanto para a própria fauna local. No caso dos tubarões-lixa, espécie comum em Noronha e considerada geralmente dócil, a mudança de comportamento pode torná-los mais reativos e imprevisíveis.
Além de ampliar as ações educativas junto aos turistas, o ICMBio informou que mantém diálogo constante com operadores turísticos, guias, empresas de mergulho e condutores locais, buscando alinhar práticas responsáveis e compatíveis com a preservação ambiental. O órgão também destacou que penalidades administrativas são aplicadas sempre que práticas proibidas são identificadas, incluindo autuações e outras sanções previstas na legislação ambiental.
Como parte desse esforço de articulação, ainda nesta semana será realizada uma reunião institucional com representantes do Conselho Noronhense de Turismo (Contur), da Associação das Empresas de Mergulho de Fernando de Noronha (Alamar) e da Associação dos Condutores e Divulgadores de Informações Turísticas de Fernando de Noronha (Acitur). O encontro tem como objetivo aprimorar a coordenação das ações preventivas, orientar os operadores turísticos e reforçar a importância do comportamento responsável em áreas onde há presença frequente de tubarões e outras espécies marinhas.
O ICMBio também reiterou uma série de recomendações aos turistas e profissionais do turismo, entre elas: nunca alimentar animais silvestres, sejam aves ou espécies marinhas; não jogar restos de comida na água; manter todo o lixo dentro das embarcações; não entrar no mar portando alimentos; evitar a aproximação de animais de grande porte; denunciar práticas irregulares e seguir rigorosamente as boas práticas ambientais durante passeios, mergulhos e atividades náuticas.
Apesar das medidas anunciadas, até o momento o ICMBio não se manifestou sobre as imagens que circulam nas redes sociais, nas quais um condutor aparece batendo em um tubarão momentos antes do ataque à turista, nem apresentou uma avaliação técnica detalhada sobre o incidente específico. O silêncio sobre esse ponto tem gerado questionamentos de especialistas e da opinião pública, que cobram esclarecimentos e eventual responsabilização caso sejam confirmadas irregularidades.
O episódio reforça o desafio permanente de conciliar turismo, segurança e conservação ambiental em Fernando de Noronha, um dos principais destinos ecológicos do Brasil, onde a convivência harmoniosa entre seres humanos e vida silvestre depende diretamente do respeito às normas ambientais e do comportamento consciente de todos os envolvidos.