
O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) iniciou 2026 com uma alta de 0,29% em janeiro, resultado acima das expectativas do mercado, que projetavam uma elevação de 0,25%. O dado foi divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) na sexta-feira, dia 16, e sinaliza um início de ano marcado por pressões inflacionárias tanto no atacado quanto no varejo e na construção civil.
Apesar do avanço mensal, o índice ainda acumula queda de 0,99% nos últimos 12 meses, refletindo a trajetória mais moderada observada ao longo de 2025. Em dezembro do ano passado, o IGP-10 havia registrado variação positiva discreta de 0,04%, o que evidencia uma aceleração mais consistente dos preços em janeiro, acima do que era inicialmente esperado.
Pressão no atacado impulsiona o índice
O principal fator de impacto sobre o IGP-10 em janeiro foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que responde por 60% do cálculo total. O indicador subiu 0,24%, após ter registrado queda de 0,03% em dezembro, sinalizando uma retomada da pressão de custos no setor produtivo.
Esse movimento foi puxado, sobretudo, pelo setor de extração mineral, com destaque para o minério de ferro, cujos preços apresentaram recuperação. Além disso, houve forte influência dos combustíveis no atacado, especialmente do etanol hidratado, que registrou alta expressiva de 4,59%. Segundo a FGV, o aumento está relacionado à redução dos estoques e à demanda aquecida durante o período de entressafra, fatores que costumam pressionar os preços nesse segmento.
Varejo sente impacto de educação e alimentos
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10), que tem peso de 30% no IGP-10, acelerou para 0,39% em janeiro, ante 0,21% em dezembro. A alta reflete, em grande parte, efeitos sazonais típicos do início do ano, mas também a continuidade da pressão sobre itens essenciais.
O grupo Educação foi o principal destaque, com aumento de 1,27%, impulsionado por reajustes de mensalidades escolares, cursos e materiais didáticos, comuns no período de volta às aulas. Já o grupo Alimentação avançou 0,50%, indicando nova pressão sobre os preços dos alimentos, fator que afeta diretamente o orçamento das famílias, especialmente as de menor renda.
Construção civil também acelera
Outro componente que contribuiu para a elevação do IGP-10 foi o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10), que subiu 0,47% em janeiro, acima da variação de 0,22% registrada em dezembro. O resultado reflete a aceleração dos custos de materiais, serviços e mão de obra no setor da construção civil, segmento sensível tanto ao aumento da demanda quanto a reajustes salariais e insumos importados.
Importância do IGP-10
O IGP-10 mede a variação de preços em três grandes segmentos da economia — atacado, consumo e construção civil — considerando o período entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência. Por sua abrangência, é amplamente utilizado como indexador de contratos, incluindo aluguéis, tarifas públicas e serviços, o que amplia o impacto de suas variações sobre a economia real.
Cenário para o início de 2026
Com a alta acima do previsto, o IGP-10 de janeiro evidencia uma dinâmica inflacionária mais intensa no início de 2026, influenciada tanto por fatores sazonais quanto por pressões estruturais nos setores produtivos. Embora o índice ainda apresente queda acumulada em 12 meses, o resultado acende um sinal de atenção para a evolução dos preços nos próximos meses, especialmente diante do comportamento dos combustíveis, alimentos, custos da construção e reajustes típicos do início do ano.
O desempenho do indicador reforça a necessidade de monitoramento constante da inflação, já que seus efeitos se espalham por contratos, custos empresariais e pelo poder de compra das famílias, influenciando diretamente o cenário econômico ao longo de 2026.