João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
IGP-10 sobe 0,29% em janeiro e supera previsões do mercado
16 de janeiro de 2026 / 16:54
Foto: Divulgação

O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) iniciou 2026 com uma alta de 0,29% em janeiro, resultado acima das expectativas do mercado, que projetavam uma elevação de 0,25%. O dado foi divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) na sexta-feira, dia 16, e sinaliza um início de ano marcado por pressões inflacionárias tanto no atacado quanto no varejo e na construção civil.

Apesar do avanço mensal, o índice ainda acumula queda de 0,99% nos últimos 12 meses, refletindo a trajetória mais moderada observada ao longo de 2025. Em dezembro do ano passado, o IGP-10 havia registrado variação positiva discreta de 0,04%, o que evidencia uma aceleração mais consistente dos preços em janeiro, acima do que era inicialmente esperado.

Pressão no atacado impulsiona o índice

O principal fator de impacto sobre o IGP-10 em janeiro foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que responde por 60% do cálculo total. O indicador subiu 0,24%, após ter registrado queda de 0,03% em dezembro, sinalizando uma retomada da pressão de custos no setor produtivo.

Esse movimento foi puxado, sobretudo, pelo setor de extração mineral, com destaque para o minério de ferro, cujos preços apresentaram recuperação. Além disso, houve forte influência dos combustíveis no atacado, especialmente do etanol hidratado, que registrou alta expressiva de 4,59%. Segundo a FGV, o aumento está relacionado à redução dos estoques e à demanda aquecida durante o período de entressafra, fatores que costumam pressionar os preços nesse segmento.

Varejo sente impacto de educação e alimentos

No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10), que tem peso de 30% no IGP-10, acelerou para 0,39% em janeiro, ante 0,21% em dezembro. A alta reflete, em grande parte, efeitos sazonais típicos do início do ano, mas também a continuidade da pressão sobre itens essenciais.

O grupo Educação foi o principal destaque, com aumento de 1,27%, impulsionado por reajustes de mensalidades escolares, cursos e materiais didáticos, comuns no período de volta às aulas. Já o grupo Alimentação avançou 0,50%, indicando nova pressão sobre os preços dos alimentos, fator que afeta diretamente o orçamento das famílias, especialmente as de menor renda.

Construção civil também acelera

Outro componente que contribuiu para a elevação do IGP-10 foi o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10), que subiu 0,47% em janeiro, acima da variação de 0,22% registrada em dezembro. O resultado reflete a aceleração dos custos de materiais, serviços e mão de obra no setor da construção civil, segmento sensível tanto ao aumento da demanda quanto a reajustes salariais e insumos importados.

Importância do IGP-10

O IGP-10 mede a variação de preços em três grandes segmentos da economia — atacado, consumo e construção civil — considerando o período entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência. Por sua abrangência, é amplamente utilizado como indexador de contratos, incluindo aluguéis, tarifas públicas e serviços, o que amplia o impacto de suas variações sobre a economia real.

Cenário para o início de 2026

Com a alta acima do previsto, o IGP-10 de janeiro evidencia uma dinâmica inflacionária mais intensa no início de 2026, influenciada tanto por fatores sazonais quanto por pressões estruturais nos setores produtivos. Embora o índice ainda apresente queda acumulada em 12 meses, o resultado acende um sinal de atenção para a evolução dos preços nos próximos meses, especialmente diante do comportamento dos combustíveis, alimentos, custos da construção e reajustes típicos do início do ano.

O desempenho do indicador reforça a necessidade de monitoramento constante da inflação, já que seus efeitos se espalham por contratos, custos empresariais e pelo poder de compra das famílias, influenciando diretamente o cenário econômico ao longo de 2026.

Copyright © 2025. Direitos Reservados.