
O Índice Geral de Preços–Mercado (IGP-M) apresentou uma queda de 0,73% em fevereiro, revertendo a alta de 0,41% registrada no mês anterior, conforme divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira, 26. O resultado ficou aquém das expectativas do mercado e reflete mudanças importantes nos preços praticados em diferentes setores da economia.
Com essa variação, o IGP-M acumula uma deflação de 2,67% nos últimos 12 meses, influenciado principalmente pela redução dos preços no atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que tem peso de 60% na composição do IGP-M, registrou queda de 1,18% em fevereiro, desacelerando após a alta de 0,34% observada em janeiro. Essa retração foi motivada, em especial, pela queda expressiva nas cotações de commodities como minério de ferro (-6,92%), soja (-6,36%) e café (-9,17%), segundo análise do economista André Braz, do FGV IBRE.
Além disso, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), responsável por 30% do índice geral, apresentou desaceleração na alta, passando a 0,30% em fevereiro frente a 0,51% em janeiro. Esse movimento foi impactado, principalmente, pela redução do peso das mensalidades escolares nas despesas das famílias, conforme informou a FGV. No setor da construção civil, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,34% no período, inferior à taxa de 0,63% registrada no mês anterior, indicando um arrefecimento nos custos do segmento.
O IGP-M mede a variação de preços ao produtor, ao consumidor e na construção civil no intervalo entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. Tradicionalmente utilizado para reajuste de contratos de aluguel e tarifas públicas, o índice vem apresentando um comportamento mais moderado nos últimos meses, influenciado pela queda nas commodities e pelo ritmo menor da alta de preços em alguns componentes do consumo. Assim, o IGP-M evidencia as dinâmicas econômicas recentes, refletindo tanto a redução nos preços no atacado quanto a desaceleração do consumo.