
O Iguatemi São Paulo reafirmou sua posição como o shopping mais produtivo do país, registrando um desempenho superior aos demais concorrentes. Conforme levantamento realizado pelo JP Morgan, que analisou os ativos das redes Iguatemi, Multiplan e Allos, o empreendimento atingiu vendas médias de R$ 11.957 por metro quadrado ao mês no quarto trimestre de 2025.
Essa marca coloca o Iguatemi São Paulo aproximadamente 35% à frente do segundo colocado, o Iguatemi JK, também localizado na capital paulista, que apresentou vendas de R$ 8.838/m². Em terceiro lugar aparece o Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, com R$ 6.557/m². Os dois primeiros shoppings formam um grupo destacado, com performance bastante expressiva em comparação ao restante do mercado.
O estudo revela uma característica marcante do setor: a concentração de valor em poucos ativos dominantes, tipicamente situados em regiões de alto padrão com grande poder aquisitivo. Entre os 15 shoppings mais produtivos do Brasil, Iguatemi e Multiplan detêm seis empreendimentos cada, e a Allos, três. Apesar disso, a Iguatemi lidera com folga, apresentando uma média de vendas de R$ 3,5 mil/m², o que representa 19% a mais que a Multiplan e 60% acima da Allos.
Contudo, o desempenho da Iguatemi é fortemente influenciado pelos seus dois principais ativos. Ao excluir o Iguatemi São Paulo e o JK, a média da companhia cai para R$ 2,3 mil/m², valor semelhante ao da Allos (R$ 2,2 mil) e inferior ao da Multiplan (R$ 2,6 mil), indicando que, sem esses grandes destaques, o setor apresenta maior equilíbrio.
A produtividade por metro quadrado é um dos indicadores mais importantes do segmento, pois reflete o fluxo de clientes, o ticket médio e a qualidade do mix de lojas, fatores que tendem a se potencializar em empreendimentos dominantes.
Outro aspecto relevante é o potencial para aumento da receita. Na Iguatemi, o custo de ocupação — que representa o peso do aluguel sobre as vendas — é cerca de 7,7%, com alguns ativos operando abaixo dessa média. Isso demonstra espaço para reajustes, principalmente em shoppings com altos índices de vendas, mas cujo preço do aluguel ainda não reflete esse desempenho.
Nos dois principais locais da empresa, o aluguel corresponde entre 6,9% e 7,3% das vendas, o que indica margem para geração de receita adicional.
Esse cenário reforça uma tese que cresce entre os investidores: poucos shoppings concentram a maior parte da geração de valor no setor. Empreendimentos como Iguatemi São Paulo, Iguatemi JK e Shopping Leblon são preferidos mesmo em momentos de instabilidade econômica.
Para os varejistas, estar presente nesses locais não é apenas uma opção, mas uma estratégia crucial. Simultaneamente, novos projetos enfrentam desafios como altos custos, escassez de locais premium e um consumidor cada vez mais exigente.
Diante disso, a escala e a localização tornam-se fatores decisivos, ampliando a vantagem competitiva dos principais ativos e aprofundando a distância em relação a outros centros comerciais.