
Em 2024, o Piauí foi pioneiro no Brasil ao emitir Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) tokenizados, seguindo a Resolução CVM nº 160. Essa iniciativa resultou em R$ 54 milhões em investimentos destinados a um empreendimento de alto padrão da incorporadora Haute em Teresina, o que despertou o interesse dos fundos imobiliários e abriu caminho para sua entrada no mercado de São Paulo. Segundo o CEO da Haute Brasil, Rodrigo Carvalho, a expansão da empresa para o estado paulista foi impulsionada pela demanda do mercado, já que Teresina não era anteriormente considerada pelos fundos. “Quando a Haute ficou conhecida por ser pioneira em várias captações, os próprios fundos nos convidaram para atuar em São Paulo”, declarou.
O plano de negócios da incorporadora para São Paulo envolve a construção de cinco empreendimentos por ano, focando em duas estratégias distintas. A primeira consiste em consolidar a marca com projetos de alto padrão em bairros nobres da capital paulista, enquanto a segunda visa levar ao interior produtos com design e acabamento diferenciados, direcionados ao segmento médio padrão, com preços de até R$ 500 mil. Carvalho destaca que o interesse pelo negócio tem superado a capacidade de expansão: “Inicialmente negociávamos dois terrenos em São Paulo, mas o número aumentou quase para dez, e os próprios fundos têm apresentado terrenos para que possamos estruturar financeiramente esses projetos juntos”.
A empresa aposta em um cenário macroeconômico favorável para impulsionar sua expansão. “A expectativa é que a Selic termine 2026 em 12%, o que aumenta a capacidade de compra da classe média, fortalece o mercado e amplia o volume de recursos disponíveis. É nesse momento que a Haute está preparando sua estratégia de crescimento”, acrescentou o CEO. Com experiência consolidada na emissão de CRIs, a Haute está estruturando uma holding com capital social de R$ 50 milhões para receber investimentos diretos, tendo sido desenhada em parceria com fundos imobiliários para suportar a expansão com um novo modelo de funding.
Essa nova estrutura responde à desintermediação financeira crescente no setor imobiliário: desde a pandemia, a captação via mercado de capitais, incluindo CRIs e LCIs, quadruplicou. A holding conecta diretamente o capital próprio aos projetos por meio do patrimônio de afetação, o que proporciona maior transparência e agilidade na obtenção de recursos, permitindo ainda negociar terrenos com funding já estruturado e acelerar a expansão. Com resultados financeiros de R$ 400 milhões até o momento, a meta da Haute é alcançar R$ 2 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) para 2026 e 2027, concentrando esforços em São Paulo e Teresina para manter a eficiência operacional, o controle das obras e a qualidade dos entregáveis que atraem os fundos de investimento.
Além da sólida estrutura, a incorporadora desenvolve um ecossistema robusto, com compliance, governança e organização jurídica profissional, essenciais para o acesso ao mercado financeiro. Em 2021, a Haute inovou em Teresina ao oferecer projetos sofisticados em um mercado até então carente desse tipo de produto, com foco na curadoria que une estética e funcionalidade. O CEO cita o Amana Residence, cuja fachada com brises foi inspirada em referências internacionais para reduzir a incidência solar, valorizando a ventilação natural.
Outros projetos com influências externas incluem o H Theresina, o Sênior Living, voltado para a terceira idade, e o Aura The Club, que integra moradias e lazer em um complexo estruturado para atrair lançamentos no entorno, totalizando R$ 500 milhões na primeira fase com parcerias estratégicas. A Haute também se destaca pelo desenvolvimento completo dos projetos autorais, com arquitetos que acompanham todas as etapas, garantindo personalizações e agilidade sem burocracia. Essa atenção resulta em empreendimentos valorizados no mercado, confirmando a relevância das estratégias adotadas pela incorporadora.