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Indústria de máquinas enfrenta desaceleração no início de 2026, aponta abimaq
3 de março de 2026 / 20:59
Foto: Divulgação

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos iniciou 2026 com um ritmo de crescimento mais lento, após ter encerrado 2025 com resultados moderados. Conforme relatório da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), essa desaceleração está ligada principalmente aos impactos da política monetária restritiva, que tem afetado os investimentos e o consumo no setor.

Em janeiro, a receita líquida total da indústria somou R$ 17,3 bilhões, uma queda de 17% em comparação com o mesmo mês do ano anterior e uma redução de 19,3% em relação a dezembro de 2025. A entidade aponta que houve retração tanto no mercado interno quanto no externo, refletindo uma conjuntura desafiadora para a indústria.

No mercado doméstico, as vendas diminuíram 19%, um resultado que a Abimaq atribui à política monetária contracionista, que tem desestimulado investimentos, aumentado o custo de vida, reduzido a renda familiar e elevado a inadimplência. No comércio exterior, a queda foi influenciada pela valorização de 11% do real frente ao dólar.

Em relação às exportações, máquinas e equipamentos totalizaram US$ 838 milhões em janeiro, apresentando uma redução de 41,5% comparado a dezembro, mas um crescimento de 3,1% frente a janeiro de 2025. A Abimaq esclarece que a retração mensal decorre de fatores sazonais e da base elevada de comparação do mês anterior, que foi um dos melhores historicamente.

As importações alcançaram US$ 2,48 bilhões em janeiro, com queda mensal, porém ainda em níveis elevados. A associação destaca que esse padrão tem se mantido desde 2015, com o aumento da substituição da produção nacional por bens importados durante a pandemia da covid-19. Atualmente, mais de 32% das máquinas importadas para o Brasil são provenientes da China.

O setor também sofreu os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre máquinas e equipamentos brasileiros. Conforme Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, as tarifas de até 50% aplicadas pelo governo Trump prejudicaram as vendas, porém não na intensidade inicialmente prevista.

“A medida impactou menos do que se esperava, pois as empresas conseguiram se organizar e manter uma parcela importante do mercado, que é estratégico para o setor”, afirmou Bastos. Ele avalia que as exportações podem se recuperar após a decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar tarifas globais, mas ressalta que o cenário ainda pede prudência, pois outros mecanismos para aumentar tarifas contra o Brasil podem ser adotados.

Quanto ao mercado de trabalho, o setor registrou leve melhora em janeiro, com 418,9 mil empregados, aumento de 18 mil em relação ao mesmo mês de 2025. Mesmo assim, esse número permanece 2% abaixo do registrado em outubro do último ano, quando o total chegou a 422,7 mil trabalhadores.

Para o ano de 2026, a Abimaq projeta um crescimento de 3,5% na produção física e cerca de 4% na receita líquida, com expectativa de que o impulso venha principalmente do mercado interno, que deve crescer 5,6% na demanda doméstica. Apesar disso, o setor mantém uma postura cautelosa. Bastos conclui: “Esperamos retração nas vendas em relação a 2025, possivelmente em torno de 5%, mas ainda é cedo para afirmar com precisão”.

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