
A inflação de serviços permanece em um nível elevado e representa um dos principais fatores de pressão sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o ano de 2026. Conforme a análise do economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), o grupo de serviços deverá registrar uma variação entre 5,5% e 6% no próximo ano.
Segundo as projeções, a inflação geral medida pelo IPCA deve fechar 2026 próxima de 3,9%, valor inferior aos 4,26% previstos para 2025. Entretanto, essa desaceleração do índice geral deve ser impulsionada principalmente por outros segmentos, como bens e produtos industrializados, já que o setor de serviços não deverá apresentar redução significativa para acelerar a convergência à meta de inflação.
Em 2025, a inflação de serviços acumulou alta de 6,01%, superando o índice geral do IPCA. Dentre os principais itens que exerceram pressão sobre o índice estão alimentação fora do domicílio, aluguel residencial, serviços pessoais, transporte por aplicativo, turismo, hospedagem e serviços médicos. O transporte por aplicativo, por exemplo, registrou aumento de 56,08% no ano, impulsionado por forte demanda, reajustes tarifários e maiores custos operacionais.
De acordo com o FGV-Ibre, a razão principal para a persistência da inflação elevada nos serviços é o mercado de trabalho aquecido. A taxa de desemprego situou-se em 5,2% no trimestre finalizado em novembro de 2025, o menor patamar desde 2012. O aumento da ocupação e da renda disponível tem sustentado a demanda por serviços, mesmo em um contexto de juros altos.
Além disso, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda prevista para 2026 deverá impactar a dinâmica dos preços. Essa medida beneficia trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil e oferece descontos graduais para quem recebe até R$ 7.350, o que pode elevar o consumo, especialmente em setores de serviços como restaurantes, cuidados pessoais e serviços domésticos.
Mesmo com a expectativa de pressão contínua da inflação nos serviços, a FGV-Ibre projeta uma desaceleração gradual do IPCA ao longo de 2026. Esse cenário poderá viabilizar o início de uma sequência de cortes na taxa básica de juros, estimada para terminar o ano entre 12,5% e 13%, ante os atuais 15%.
Contudo, o panorama ainda está sujeito a incertezas. Fatores externos, como variações nos preços do petróleo, e internos, especialmente a volatilidade cambial em um ano eleitoral, podem influenciar o comportamento da inflação e, consequentemente, as decisões de política monetária durante 2026.