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Inflação é o principal risco para o Brasil com guerra no Irã
3 de março de 2026 / 10:29
Foto: Divulgação

A inflação elevada representa o maior risco que o conflito entre Estados Unidos e Irã pode impor à economia brasileira. Embora haja perspectivas positivas, como o aumento da demanda por commodities e o impacto favorável nas receitas públicas caso os preços do petróleo aumentem, especialistas alertam que a continuidade da guerra pode pressionar a inflação mundial, afetar o cenário interno e tornar incerto o ritmo de redução da taxa básica de juros no Brasil.

Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, explica que se o preço do barril Brent se mantiver em US$ 80 até o fim do ano, o impacto no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026 pode variar entre 0,2 e 0,3 ponto percentual. Na segunda-feira (2), o barril fechou em US$ 77,74, um aumento de 6,68% na Bolsa de Londres. Segundo ele, o preço do petróleo é o principal canal pelo qual a guerra afeta a economia e a persistência desse patamar inflacionário traz consequências diretas ao Brasil.

A atual projeção da Tendências para a inflação em 2026 é de 4,1%. Contudo, o cenário ainda é incerto, exigindo cautela na análise dos possíveis efeitos. Além disso, observa-se um maior ambiente de aversão a riscos globalmente, com valorização do dólar e do ouro, e isso gera um impacto negativo nas dinâmicas positivas que vinham beneficiando o Brasil desde o início do ano, especialmente no mercado de ativos emergentes, como a bolsa brasileira e a taxa de câmbio mais estável.

Além disso, o relatório do J.P. Morgan destaca que o aumento dos preços internacionais do petróleo influencia diretamente o PIB, a inflação e os déficits fiscais e em conta corrente do Brasil. Cada 10% de alta no preço do petróleo pode elevar o PIB em 0,1 ponto percentual e aumentar o IPCA em 0,2 ponto percentual. O setor energético tem papel importante nas contas públicas, com o país exportando cerca de 1,3% do PIB em petróleo bruto e derivados, o que traz receitas adicionais por meio de impostos e dividendos.

Por outro lado, o repasse dos preços internacionais para o mercado interno não é total devido à carga tributária e custos adicionais, o que atenua o efeito inflacionário direto sobre a gasolina. Mesmo assim, a escalada recente dos preços globais do petróleo, cerca de 20% desde janeiro, sinaliza riscos de chegar a valores acima de US$ 100 por barril em cenários mais severos, afetando ainda mais a economia brasileira.

Pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) reforçam que a inflação global crescente é uma das maiores ameaças ao Brasil. A possibilidade de fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, pelo qual circula cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente, pode impactar a oferta global e pressionar ainda mais os preços, com efeitos negativos principalmente na indústria e no comércio exterior. A especialista Lia Valls destaca que, apesar de o Brasil ser produtor, também importa derivados, o que agrava o efeito inflacionário. A balança comercial com o Irã é favorável, com exportações brasileiras de US$ 2,9 bilhões no ano anterior.

O fechamento do estreito também pode prejudicar o comércio internacional, elevando custos com frete e seguros, o que afetaria diretamente o Brasil, principal exportador de commodities que dependem do transporte marítimo de longa distância. Além disso, conflitos prolongados podem reduzir investimentos estrangeiros devido à incerteza, atrasando projetos e aportes financeiros importantes.

O economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart, alerta que a incerteza causada pela guerra pode levar o Banco Central a adiar a redução da taxa Selic, que está em 15% desde junho de 2023. A volatilidade nos preços do petróleo e seus reflexos sobre energia e combustíveis sustentam um cenário cauteloso. O impacto econômico do conflito, portanto, depende da sua duração e intensidade, reforçando a inflação como o principal risco para o Brasil neste contexto.

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