
Em carta dirigida aos acionistas, divulgada na terça-feira (23), o CEO da InnoSpace, Kim Soo-jong, pediu desculpas pela explosão do foguete HANBIT-Nano e revelou a ambição da empresa de realizar novos lançamentos comerciais já no primeiro semestre de 2026. O HANBIT-Nano, que marcou o primeiro voo comercial de um foguete lançado do Brasil, explodiu poucos segundos após a decolagem na segunda-feira (22), no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Durante a transmissão ao vivo do evento, foi exibida a mensagem indicando que uma “anomalia” havia ocorrido durante o voo, que não era tripulado.
Kim ressaltou que, com base nos dados coletados e análises do lançamento, a empresa dará início às correções técnicas e verificações adicionais para realizar as melhorias necessárias. O objetivo é retomar os lançamentos comerciais no primeiro semestre do próximo ano. O CEO comparou o ocorrido com situações semelhantes enfrentadas por empresas do setor aeroespacial, como a SpaceX, que também passou por incidentes antes de alcançar a estabilidade operacional.
Embora a carta da InnoSpace não especifique se os lançamentos seguintes ocorrerão novamente no CLA, a Agência Espacial Brasileira (AEB) confirmou que a empresa mantém um acordo de prestação de serviços com o governo brasileiro, o qual possibilita que novas tentativas de lançamento de foguetes sejam realizadas no Brasil em 2026. O acordo não prevê lucro para a InnoSpace, sendo que o Brasil recebe a experiência necessária para o progresso do programa espacial e para a exploração comercial da Base de Alcântara.
O foguete sul-coreano HANBIT-Nano teve sua missão interrompida após uma anomalia detectada cerca de 30 segundos depois do lançamento. Por medida de segurança, o veículo caiu dentro da zona segura terrestre, conforme protocolo da empresa. O equipamento tinha como objetivo colocar em órbita instrumentos para coleta de dados ambientais, testes de comunicação, monitoramento do Sol e validação de tecnologias em navegação. Equipes da Força Aérea Brasileira e do Corpo de Bombeiros foram acionadas para analisar os destroços e a área de impacto, situada dentro da Base de Alcântara.
Antes do lançamento, a missão enfrentou três adiamentos entre 17 e 22 de dezembro devido à necessidade de ajustes técnicos e troca de componentes como o sistema de resfriamento e válvulas de abastecimento. No dia 22, o foguete decolou às 22h13, porém explodiu minutos após. Conforme Kim Soo-jong, não houve danos a pessoas, embarcações ou instalações terrestres, e todos os procedimentos de segurança foram seguidos segundo os padrões internacionais.
Uma imagem registrada por drone capturou o momento exato da explosão do foguete, mostrando-o transformando-se em uma bola de fogo no ar e os destroços caindo na área do CLA. O youtuber Pedro Pallotta, que acompanhava a missão ao vivo, relatou que o voo durou cerca de 40 segundos.
Na carta completa, o CEO da InnoSpace reforça que apesar do resultado adverso, os dados reais obtidos são fundamentais para aprimorar o projeto e que a experiência adquirida será essencial para aumentar as chances de sucesso nos próximos lançamentos comerciais. Ele agradeceu o apoio dos acionistas e garantiu transparência na divulgação das análises e planos futuros da empresa.