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Inteligência artificial no combate à fome e à desnutrição global
19 de fevereiro de 2026 / 18:52
Foto: Divulgação

A inteligência artificial (IA) tem potencial para revolucionar a forma como organizações humanitárias oferecem assistência alimentar às populações vulneráveis. Durante a Cúpula de Impacto da IA, realizada na Índia, o Programa Mundial de Alimentos (WFP) apresentou diversas soluções inovadoras baseadas em IA que buscam aprimorar a eficiência e o alcance dessas ações.

Um dos destaques é o Annapurti, conhecido como um “caixa eletrônico de grãos”, que utiliza identificação biométrica para permitir aos beneficiários acessar seus pacotes alimentares de maneira rápida e precisa. Conforme explicou Elisabeth Faure, representante do WFP na Índia, esse sistema opera 24 horas por dia, sete dias por semana, possibilitando que as famílias retirem alimentos com dignidade e sem precisar abrir mão de um dia de trabalho. Atualmente, a tecnologia está em uso na Índia e foi recentemente implementada no Nepal.

Além disso, o WFP introduziu armazéns inteligentes equipados com sensores que monitoram umidade, pragas e níveis de estoque em tempo real. Essas informações auxiliam na prevenção de perdas e no aprimoramento das decisões logísticas ao longo da cadeia de suprimentos. Novas ferramentas para otimização de rotas também estão sendo desenvolvidas, especialmente para a complexa rede pública de distribuição da Índia, que atende mais de 800 milhões de pessoas mensalmente. O foco dessas tecnologias é diminuir o tempo de entrega e reduzir as emissões de carbono.

Em um âmbito global, o WFP apresentou plataformas que possibilitam a avaliação rápida de crises, ajudando a definir quais suprimentos são necessários e a melhor forma de entregá-los, utilizando rotas mais curtas. Com a integração de dados e inteligência artificial em suas operações, o programa estima que essas tecnologias possam aumentar a eficiência e a precisão dos processos em até 50%.

No âmbito local, um hackathon promovido durante a Cúpula incentivou a criação de soluções voltadas para combater lacunas nutricionais nas comunidades. Os vencedores desenvolveram projetos como a conexão entre merendas escolares e hortas comunitárias, um aplicativo móvel para nutrição e um sistema para prever riscos de desnutrição infantil. Stephan Priesner, coordenador residente da ONU na Índia, ressaltou que a liderança do país em inovação digital favorece a adaptação e replicação dessas soluções em outras nações, por meio da cooperação Sul-Sul.

Para o WFP, fica clara a mensagem de que a inteligência artificial sozinha não erradicará a fome. Contudo, aliada a parcerias estratégicas, apoio político e inovação local, a IA pode ampliar significativamente o impacto e a eficiência das ações humanitárias em todo o mundo.

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