
De acordo com dados divulgados pelo IBGE, o IPCA-15 — considerado uma prévia da inflação oficial no Brasil — registrou alta de 0,44% em março. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice atingiu 3,90%, ficando abaixo dos 4,10% observados no período imediatamente anterior.
Embora o resultado represente uma desaceleração em relação a março de 2025, quando o índice havia subido 0,64%, o número veio acima das expectativas do mercado financeiro, que projetava uma alta de 0,29% no mês e 3,74% no acumulado anual. Isso indica uma pressão inflacionária maior do que a prevista por analistas.
Um dos destaques do levantamento foi o fato de todos os grupos de produtos e serviços pesquisados apresentarem aumento de preços em março. O grupo de Alimentação e bebidas liderou as altas, com avanço de 0,88%, seguido por Despesas pessoais, que registrou elevação de 0,82%.
Dentro do grupo de alimentação, o aumento foi mais intenso nos produtos consumidos dentro de casa. A chamada alimentação no domicílio saltou de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março, evidenciando uma aceleração significativa. Entre os itens que mais pressionaram esse resultado estão o açaí, com alta expressiva de 29,95%, o feijão-carioca (19,69%), o ovo de galinha (7,54%), o leite longa vida (4,46%) e as carnes (1,45%).
Por outro lado, alguns itens apresentaram queda de preços no período, como o café moído, que recuou 1,76%, e as frutas, com redução de 1,31%, ajudando a amenizar parcialmente a pressão inflacionária no grupo.
Já a alimentação fora de casa — que inclui gastos em restaurantes, bares e lanchonetes — mostrou desaceleração, passando de 0,46% em fevereiro para 0,35% em março. Esse movimento pode indicar uma moderação nos preços de serviços alimentícios, ainda que em níveis positivos.
O resultado reforça a importância do IPCA-15 como termômetro antecipado da inflação no país, sendo amplamente acompanhado por analistas e formuladores de políticas econômicas. Mesmo com o índice anual ainda abaixo de patamares mais elevados, a alta acima do esperado acende um sinal de atenção quanto à evolução dos preços, especialmente no setor de alimentos, que impacta diretamente o custo de vida da população.