
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) desacelerou para 0,20% em janeiro, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 27. Este resultado foi inferior aos 0,25% registrados em dezembro e representa a segunda menor variação para meses de janeiro desde o início do Plano Real, em 1994, ficando atrás somente da taxa de 0,11% observada em janeiro de 2025. O valor ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetava uma inflação de 0,22% para o período, com estimativas variando entre 0,15% e 0,42%, segundo a mediana coletada pela Bloomberg.
No acumulado dos últimos 12 meses até janeiro, o IPCA-15 indicou alta de 4,50%, ligeiramente superior aos 4,41% apurados até dezembro. Esse índice permanece no limite superior da meta de inflação definida pelo Banco Central, cujo centro é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A divulgação do índice antecede a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta-feira, sobre a definição da taxa básica de juros. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, e a expectativa do mercado é que essa taxa seja mantida, com possíveis cortes apenas a partir de março.
Analistas apontam que a política de juros altos tem a intenção de conter a demanda e reduzir as pressões inflacionárias, tornando o crédito mais caro e desestimulando o consumo. Entretanto, essa postura restritiva da política monetária também provoca uma desaceleração na atividade econômica, efeito já identificado nos dados do Produto Interno Bruto (PIB). O IPCA-15 funciona como uma prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA, sendo que a principal diferença entre eles está no período de coleta. Para janeiro, o IPCA-15 considerou preços coletados entre 13 de dezembro e 14 de janeiro, enquanto o IPCA tradicional reúne dados referentes a todo o mês. O resultado oficial de janeiro será divulgado em 10 de fevereiro.
Segundo o boletim Focus, divulgado na segunda-feira, 26, pelo Banco Central, a mediana das projeções do mercado aponta uma inflação de 4% para 2026, abaixo dos 4,26% registrados em 2025, indicando uma expectativa de desaceleração da inflação ao longo do próximo ano. Além disso, entrou em vigor nesta terça-feira um corte de 5,2% no preço da gasolina vendido pela Petrobras às distribuidoras. Caso essa redução seja repassada ao consumidor final, poderá ajudar a aliviar a inflação, já que o combustível tem o maior peso individual na composição do IPCA. Assim, a desaceleração do IPCA-15 em janeiro reflete um cenário de moderação da inflação, com impactos importantes para as decisões econômicas no país.