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Itaú adia cortes de juros para março e reforça alerta fiscal para 2026
24 de janeiro de 2026 / 10:55
Foto: Divulgação

O Itaú Unibanco revisou suas projeções macroeconômicas e passou a estimar que o início do ciclo de cortes da taxa Selic ocorrerá apenas em março de 2026, adiando em dois meses a previsão anterior, que apontava para janeiro. A mudança aproxima o banco do consenso predominante no mercado financeiro, que considera mais provável a manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 28 de março.

Segundo dados das negociações da Opção de Copom na B3, cerca de 87% dos investidores apostam na manutenção da Selic no patamar atual, enquanto 13% ainda veem chance de um início imediato do ciclo de flexibilização monetária. Um mês atrás, essa divisão era bem menos consensual, com 38% do mercado projetando cortes já na próxima reunião, o que evidencia uma mudança relevante na percepção dos agentes econômicos.

Trajetória esperada dos juros

De acordo com a equipe de macroeconomia do Itaú, o Banco Central deverá iniciar o processo de afrouxamento monetário com cortes graduais de 0,25 ponto percentual, a partir de março de 2026. Nesse cenário, a Selic encerraria 2026 em 12,75% ao ano e alcançaria 11,75% em 2027, níveis que, segundo o banco, ainda permaneceriam restritivos para a atividade econômica.

O Itaú avalia que o Banco Central tem ganhado confiança na eficácia da política monetária vigente, diante de sinais de desaceleração da atividade econômica e de uma melhora gradual do comportamento da inflação. No entanto, o banco ressalta que a inflação de serviços segue pressionada, exigindo cautela adicional por parte do Copom para evitar uma flexibilização prematura que comprometa a convergência da inflação à meta.

Crescimento econômico e inflação

No campo da atividade econômica, o Itaú revisou para cima sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, de 1,7% para 1,9%. A melhora reflete, principalmente, um cenário externo mais favorável, além da presença de estímulos fiscais e parafiscais que ainda sustentam a demanda interna. Para 2027, a expectativa permanece em 1,7%, indicando crescimento moderado e abaixo do potencial.

Já a projeção para a inflação medida pelo IPCA foi mantida em 4,0% tanto em 2026 quanto em 2027, patamar acima do centro da meta, mas com trajetória de desaceleração ao longo do período. O banco observa que, apesar da tendência de arrefecimento dos preços em geral, os alimentos devem continuar pressionados, especialmente em função do ciclo das proteínas, o que limita uma queda mais rápida da inflação.

Câmbio e cenário externo

No mercado de câmbio, o Itaú projeta o dólar em R$ 5,50 ao fim de 2026 e R$ 5,70 em 2027. O banco avalia que um cenário internacional de dólar mais fraco tende a beneficiar moedas de países emergentes, inclusive o real. No entanto, fatores domésticos como a incerteza fiscal, o ambiente eleitoral e o elevado prêmio de risco impedem uma valorização mais consistente da moeda brasileira.

Risco fiscal segue como principal alerta

O ponto de maior preocupação destacado pelo Itaú continua sendo o risco fiscal. O banco projeta um déficit primário de 0,8% do PIB em 2026, alertando para o perigo da adoção de novos estímulos à demanda em um ano eleitoral, o que pode resultar em descumprimento dos limites do arcabouço fiscal.

A eleição presidencial de 2026 é vista como altamente competitiva, o que tende a aumentar a pressão por gastos públicos. Segundo o Itaú, para estabilizar a dívida pública, seria necessário um ajuste fiscal da ordem de 4 pontos percentuais do PIB, algo que o mercado considera possível, mas com probabilidade próxima de 50%.

Para manter a dívida pública estabilizada em torno de 80% do PIB, o banco estima que o país precisaria alcançar, no médio prazo, um superávit primário próximo de 3% do PIB — um desafio considerado elevado diante do atual contexto político e econômico.

Cenário de cautela

Diante desse conjunto de fatores, o Itaú opta por adiar o início do ciclo de cortes da Selic, reforçando a leitura de que a política monetária seguirá prudente e dependente de dados, enquanto o risco fiscal permanece como a principal âncora de incerteza para 2026. O banco enfatiza a importância de monitorar atentamente a interação entre política monetária, fiscal e o ambiente político, que será determinante para a trajetória da economia brasileira nos próximos anos.

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