
O início de um novo ano costuma ser marcado por uma série de metas e expectativas de mudança. No entanto, especialistas alertam que quando esses objetivos são descolados da realidade de cada pessoa, podem gerar frustração, ansiedade e sofrimento emocional. Essa é a preocupação principal da psicóloga Renata Bandeira, do programa Saúde Todo Dia, da Humana Saúde, ao abordar a campanha Janeiro Branco, que destaca a importância do cuidado com a saúde mental. Segundo ela, um dos erros mais comuns na definição de metas é a incompatibilidade delas com a rotina atual do indivíduo. Muitas vezes, não se trata de metas inatingíveis, mas de objetivos que não se ajustam ao momento de vida da pessoa, o que pode resultar em um impacto negativo na saúde emocional.
Renata exemplifica esse problema com o caso da prática de atividade física. “Por exemplo, alguém sedentário que decide começar a ir à academia cinco vezes por semana provavelmente não terá sua rotina adaptada para isso. O ideal é iniciar com algo mais factível, como ir três vezes por semana, o que inclusive é recomendado pela Organização Mundial da Saúde”, explica a psicóloga. Ela destaca ainda que o início do ano funciona como um ritual simbólico de recomeço, que provoca uma pressão exagerada para mudanças imediatas. “Embora o ser humano precise desses rituais, podemos começar qualquer mudança em qualquer mês, não apenas na virada do ano”, afirma.
Além disso, Renata ressalta que metas inadequadas podem se transformar em gatilhos para o adoecimento emocional. “Às vezes, nosso maior inimigo somos nós mesmos. Metas irreais acabam por gerar sensação de fracasso, ansiedade e até desencadear transtornos psicológicos”, alerta. Para evitar isso, a especialista recomenda a construção gradual dos objetivos, utilizando a metáfora da escada: subir degrau por degrau para alcançar o segundo andar, ou seja, alcançar os objetivos passo a passo com pequenas ações diárias. O autoconhecimento é uma peça-chave nesse processo, ajudando a pessoa a compreender seus limites e a definir metas mais saudáveis e conscientes. “É essencial saber onde ir e onde não ir”, reforça.
Por fim, a psicóloga observa que a ansiedade é uma emoção natural, mas é importante monitorá-la para que não se torne excessiva a ponto de prejudicar a vida. Em casos mais graves, é recomendável buscar ajuda psicológica e, se necessário, psiquiátrica. A campanha Janeiro Branco, apoiada pela Humana Saúde, enfatiza a necessidade de falar sobre saúde mental durante todo o ano, promovendo o cuidado contínuo e o acesso a acompanhamento profissional como formas de garantir mais qualidade de vida e bem-estar emocional.