
O encerramento da janela partidária, um período de 30 dias que permite aos parlamentares trocar de legenda sem perder o mandato, gerou mudanças significativas na composição da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Durante esse intervalo, partidos como o Progressistas (PP) ampliaram sua presença, enquanto outros perderam completamente sua representação na Casa. Antes da janela partidária, siglas como o Partido Social Democrático (PSD), Podemos e Novo não tinham deputados estaduais, mas, após as trocas, essas três legendas passaram a contar com 17 parlamentares. O PSD, partido da governadora Raquel Lyra, destaca-se com nove deputados, tornando-se a segunda maior bancada da Alepe.
Por outro lado, cinco partidos que antes somavam 12 deputados deixaram de ter representantes na Alepe. São eles: Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Partido Renovação Democrática (PRD), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e Solidariedade. Enquanto isso, o PP assumiu a liderança em número de parlamentares, incrementando seu quadro de oito para dez deputados, consolidando-se como a maior bancada da Assembleia. O Partido Socialista Brasileiro (PSB), ligado ao ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo João Campos, teve sua bancada reduzida de nove para oito deputados.
Outros partidos também sofreram alterações: o Partido dos Trabalhadores (PT) cresceu de três para cinco deputados, e o Partido Verde (PV) manteve seus três representantes. Já o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e Republicanos diminuíram de dois para um deputado cada; o Partido Liberal (PL) caiu de cinco para três; e o União Brasil sofreu a maior redução proporcional, passando de cinco para apenas um parlamentar.
Apesar da vitória do PP como maior bancada, o partido ainda não definiu oficialmente sua postura em relação ao governo estadual. O PP integrava a base governista, mas divergências internas entre a governadora Raquel Lyra e o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente estadual da sigla, têm provocado uma reavaliação dessa posição. Uma reunião marcada para esta segunda-feira (13) deve decidir se o PP permanece alinhado ao governo, passa a oposição ou libera seus deputados para votações independentes conforme as pautas.
Mesmo com essas mudanças, o governo estadual ainda conta com o apoio da maioria dos deputados na Alepe. Contudo, as principais lideranças nas comissões parlamentares estão concentradas entre os deputados da oposição.
No mesmo dia, haverá uma sessão para debater a redução do limite de remanejamento do orçamento estadual entre as secretarias. Atualmente, o governo pode realocar até 20% dos recursos sem necessidade de aprovação da Alepe. O projeto em análise sugere reduzir esse limite para 10%. Deputados da oposição defendem a medida, argumentando que ela facilita a fiscalização das contas públicas. Por outro lado, membros da base governista afirmam que a mudança pode prejudicar a gestão administrativa da governadora Raquel Lyra.