
Durante a primeira Assembleia Geral do Consórcio Nordeste em 2026, realizada em Maceió, o governador da Paraíba, João Azevêdo, enfatizou a importância da união regional para superar os desafios históricos do Nordeste. Em entrevista coletiva ao término do encontro, ele defendeu uma agenda que promova o aproveitamento estratégico das energias renováveis, a reforma tributária justa e uma atuação conjunta dos estados nordestinos para fortalecer o desenvolvimento econômico e social da região.
A assembleia também marcou a posse do novo presidente do Consórcio Nordeste, o governador de Alagoas, Paulo Dantas. Azevêdo considerou natural a troca de gestão e ressaltou a continuidade do projeto coletivo, destacando a importância da cooperação entre os estados.
O governador da Paraíba chamou atenção para o potencial do Nordeste em energias renováveis, apontando que o Brasil ainda não estruturou uma política eficiente para explorar plenamente essa vocação regional. Ele afirmou que o Nordeste tem o maior potencial em energias renováveis, mas que o país não sabe utilizá-lo em sua totalidade, destacando que essa é uma questão que deve permanecer em pauta.
Azevêdo também alertou para a crise no setor eólico, causada pela decisão do Operador Nacional do Sistema (ONS) de reduzir a produção das usinas eólicas, o que impacta negativamente toda a cadeia produtiva, incluindo a fabricação de componentes, geração de emprego e renda. O governador afirmou que a medida tem levado empresas à falência e que essa pauta não pode ser esquecida pelo Consórcio Nordeste.
Reforma tributária no radar do Nordeste
Outro ponto destacado pelo governador da Paraíba é a importância de manter atenção à reforma tributária. Apesar dos avanços, ele ressaltou a necessidade de acompanhar os efeitos da nova legislação sobre as finanças dos estados nordestinos. Azevêdo alertou que a forma de repartir o fundo de desenvolvimento, com base em critérios populacionais, reduz os valores destinados ao Nordeste, região que possui cerca de 60 milhões de habitantes com crescente capacidade de consumo.
Ele lembrou que o Nordeste é o motor do crescimento do Brasil, concentrando os maiores índices de aumento do PIB estadual, e que essa realidade deve ser considerada nas políticas públicas. A desigualdade na distribuição de recursos ainda persiste, segundo o governador.
Perspectivas de um futuro com menos desigualdade no Nordeste
Ao falar sobre as perspectivas de transformação da região, Azevêdo reconheceu os grandes desafios, mas ressaltou os avanços em curso. Na Paraíba, por exemplo, 97% dos municípios apresentaram crescimento do PIB, e o estado subiu da sexta para a segunda posição em renda média regional.
Ele explicou que o crescimento econômico distribuído impacta diretamente a qualidade de vida da população, embora reconheça que ainda é necessário muito trabalho para alcançar níveis sociais semelhantes aos das regiões Sul e Sudeste. Além disso, criticou as desigualdades históricas de investimentos, destacando que dos R$ 920 bilhões de dívida dos estados com a União, R$ 690 bilhões correspondem a apenas quatro estados do Sul e do Sudeste. O Nordeste não possui essa dívida, pois investe dentro de sua própria capacidade.
Para Azevêdo, o papel do Consórcio Nordeste é acelerar o processo de superação dessas desigualdades por meio do desenvolvimento regional, da integração de políticas e da justiça fiscal aprimorada. Ele expressou confiança no futuro da Paraíba e do Nordeste como um todo, afirmando que com trabalho, unidade e foco será possível atingir o nível de desenvolvimento desejado, cujos efeitos já começam a ser sentidos pela população.