
João Pessoa vive um momento único em sua trajetória urbana, marcado pelo crescimento econômico acelerado, valorização imobiliária constante e um amadurecimento coletivo acerca do futuro da cidade. A capital paraibana aumenta sua população, atrai investimentos de alto padrão em regiões como Altiplano e Portal do Sol e se destaca nacionalmente como destino turístico. Ao mesmo tempo, fortalece a percepção de que seu diferencial está ligado à capacidade de preservar seu território, planejar o desenvolvimento e engajar a sociedade nesse processo.
Esse novo ciclo resulta de ações estruturadas da gestão pública, articulações institucionais consolidadas, compromissos do setor produtivo e uma sociedade civil atenta e participativa. Anderson Leite, diretor de Controle Ambiental da SEMAM, destaca que o controle ambiental orienta o crescimento para respeitar a sustentabilidade, por meio de licenciamento ambiental que atua também de forma educativa, garantindo que construções ocorram em áreas adequadas conforme estudos de viabilidade e planos de recuperação.
Embora persistam desafios, João Pessoa avança ao tratar a sustentabilidade como um eixo estratégico, concretizado no Plano de Ação Climática lançado em 2023, fruto de parceria com organismos técnicos nacionais e internacionais. Esse plano define metas de médio e longo prazo, estrutura a governança ambiental e reconhece fragilidades urbanas.
Leite também ressalta que a capital foi a primeira do Brasil a adotar essas diretrizes após o compromisso firmado na COP28, realizada nos Emirados Árabes Unidos. Destaca ainda que o trabalho em arborização, com programas como João Pessoa Mais Verde e o uso de vegetação nativa no paisagismo, é foco imediato e de médio prazo.
Segundo o procurador da República Renan Paes Félix, o planejamento faz parte da agenda urbana e a consciência coletiva sobre preservação e fiscalização ambiental cresce, deixando claro que desenvolvimento deve andar junto da proteção dos rios, da arborização e do patrimônio natural que torna João Pessoa singular.
O Projeto Raízes simboliza essa nova fase, representando a responsabilidade socioambiental em empreendimentos de grande porte. Com investimento total de R$ 7 milhões, sendo R$ 5 milhões do Estado e R$ 2 milhões de empreendedores do Polo Turístico Cabo Branco, o projeto prevê arborização urbana, reflorestamento e recuperação ambiental.
O diretor ambiental afirma que o projeto vai além das obrigações legais, buscando compensação voluntária relacionada às árvores como solução natural que beneficia o bem-estar e reduz doenças, impactando positivamente o empreendedorismo local. Renan destaca que o valor financeiro é menos relevante que a mudança de paradigma, mostrando que empreender e preservar podem ser ações conciliadas pela atuação técnica e ambiental.
O plantio de mais de 1.400 árvores nativas adultas é um marco para o desenvolvimento sustentável da cidade, ilustrando a materialização das ações em políticas públicas colaborativas entre Estado e iniciativa privada. A Prefeitura reconhece esse movimento como parte da nova etapa do planejamento urbano, combinando expansão com qualidade de vida e proteção ambiental.
Consolidando o desafio da sustentabilidade, o crescimento em regiões valorizadas como Altiplano e Portal do Sol reforça a necessidade de equilíbrio entre desenvolvimento e preservação dos ativos naturais. Temas como verticalização, uso do solo e drenagem ingressam com mais força na discussão pública. Anderson Leite destaca o patrimônio vegetal de João Pessoa, com cerca de 35% de áreas verdes e quase 300 mil árvores urbanas nativas como ipês e oitizeiros, que garantem conforto térmico e social.
Renan Paes Félix aponta que o envolvimento da sociedade na fiscalização é fundamental para o crescimento ordenado, já que essa não ocorre apenas pelos órgãos oficiais. O diretor ambiental reforça que a fiscalização é preventiva, com o licenciamento buscando orientar empreendedores a agirem com responsabilidade ambiental desde o início das obras.
Questões como as relacionadas ao Rio Jaguaribe e à orla evidenciam desafios estruturais, entre eles drenagem e ligações clandestinas de esgoto, que têm recebido maior articulação institucional e pressão social. Ministérios Públicos e forças-tarefas atuam em conjunto, demonstrando evolução na gestão desses temas complexos.
Para Alisson Holanda, presidente do Instituto Ranking PB, o processo atual é uma transformação cultural em João Pessoa, na qual a sustentabilidade deixa de ser apenas discurso e torna-se um compromisso concreto para garantir qualidade de vida e valor imobiliário. A SEMAM, via diretor Anderson Leite, tem fortalecido a participação da sociedade civil, envolvendo associações e comunidades na recuperação ambiental, o que gera engajamento positivo.
Apesar das contradições, o ambiental ganhou protagonismo na cidade. Anderson Leite, com 15 anos à frente da diretoria regional da SBAU no Nordeste, ressalta que João Pessoa é reconhecida e premiada como vanguarda, recebendo cinco vezes o título Tree City of the World.
O futuro, projeta o diretor, deve ser construído em conjunto, valorizando a conexão da cidade do rio ao mar e priorizando estratégias baseadas na natureza e educação ambiental. A árvore se destaca como elemento principal do crescimento urbano responsável. Em resumo, o Plano de Ação Climática, o avanço do Projeto Raízes e a participação crescente da sociedade civil indicam que João Pessoa busca crescer preservando seus recursos naturais, consolidando-se como referência em qualidade urbana e responsabilidade ambiental para o futuro.