
A divulgação dos resultados do setor varejista para 2025 deverá confirmar uma desaceleração do consumo, apontam análises do BTG Pactual. O banco destaca que o cenário de juros elevados, somado ao endividamento das famílias e à inflação acumulada, tem restringido o poder de compra dos consumidores, principalmente em categorias discricionárias que dependem mais de crédito. Como resultado, o consumo está mais seletivo, registrando volumes menores e menor alavancagem operacional.
As projeções indicam que a receita líquida do varejo cresceu cerca de 7% em 2025, enquanto o Ebitda avançou aproximadamente 8%, refletindo um desempenho moderado do setor como um todo. Mesmo os segmentos geralmente mais resilientes, como supermercados, mostraram sinais de desaceleração, com vendas crescendo abaixo da inflação. Além disso, o varejo de vestuário popular, que apresentou resultados mais fortes no primeiro semestre do ano, tem mostrado perda de ritmo, com expectativas de desempenho mais fraco para as grandes redes.
Entretanto, algumas áreas apresentaram exceções positivas, reforçando tendências específicas. O setor de farmácias, por exemplo, foi beneficiado pela alta demanda por medicamentos à base de GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras. O BTG Pactual projeta uma melhora nos resultados da Raia Drogasil e crescimento nas vendas em lojas físicas da Panvel e da Pague Menos, apesar da concorrência crescente no comércio eletrônico de produtos de higiene, perfumaria e cosméticos.
Outro setor que mantém sua expansão é o de academias, com a Smart Fit destacando-se por um crescimento expressivo de receita, estimado em 26% na comparação anual. Esse avanço ocorre em ritmo mais lento do que em anos anteriores e está associado ao calendário de abertura das novas unidades, concentrado no final do ano passado. Dessa forma, a análise reforça a tendência de que, enquanto o consumo no varejo geral sofre a pressão dos juros altos, segmentos ligados à saúde e fitness continuam em trajetória de crescimento em 2025.