João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
Justiça da PB declara inconstitucional uso da Bíblia na Assembleia Legislativa
6 de fevereiro de 2026 / 12:19
Foto: Divulgação

A Justiça da Paraíba declarou inconstitucional o uso da Bíblia e a invocação a Deus na abertura das sessões ordinárias da Assembleia Legislativa do estado. A decisão afeta um trecho do Regimento Interno da Assembleia que previa esse rito religioso como parte oficial das reuniões parlamentares.

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) firmou esse entendimento em julgamento realizado na última quarta-feira (4), após uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB). O MPPB contestou um artigo do Regimento Interno da ALPB que determinava a abertura das sessões com a expressão “sob a proteção de Deus e em nome do povo paraibano” e a presença da Bíblia Sagrada sobre a mesa diretora durante o Pequeno Expediente, primeiro momento das sessões ordinárias do Legislativo estadual.

O Ministério Público argumentou que esse rito institucional viola princípios constitucionais, como a laicidade do Estado, a liberdade religiosa, a igualdade entre crenças, a impessoalidade e a neutralidade do poder público em relação às religiões. Para o MPPB, a adoção de um símbolo e invocação religiosa específica em ato oficial privilegia uma crença em detrimento das demais.

O desembargador Ricardo Vital, cuja posição representou a maioria no julgamento, apontou que a norma afronta a laicidade do Estado ao vincular a abertura das sessões à presença obrigatória da Bíblia. Ele ressaltou que o poder público não pode adotar símbolos ou rituais de uma religião específica em atos institucionais. Inicialmente, a relatora desembargadora Fátima Bezerra votou pela improcedência da ação, mas reviu seu entendimento depois do voto de Vital, e a maioria do colegiado acompanhou o novo posicionamento.

Houve divergência entre os desembargadores Aluízio Bezerra e Onaldo Queiroga, que defenderam a tradição histórica e cultural do rito e citaram que a maioria dos brasileiros se declara católica. O desembargador Abrão Lincoln optou por se abster de votar.

Na prática, a decisão impede que a Assembleia mantenha como regra oficial a invocação a Deus e a presença obrigatória da Bíblia na abertura das sessões. A medida, contudo, não proíbe manifestações religiosas individuais dos parlamentares. A Assembleia Legislativa da Paraíba anunciou que irá recorrer da decisão. O presidente da Casa, Adriano Galdino (Republicanos), afirmou que a procuradoria já prepara o recurso e que, apesar de não concordar com a decisão, a Assembleia cumprirá ou recorrerá pelos meios legais, aguardando uma definição sobre o mérito.

Copyright © 2025. Direitos Reservados.