
A Justiça da Bahia determinou regras mais rígidas para a publicidade de casas de apostas online durante os festejos de São João no estado. A decisão foi assinada pela juíza Juliana de Castro Madeira e atende parcialmente uma ação popular que questiona a exposição de marcas de apostas em eventos frequentados por crianças, adolescentes e famílias.
A medida impõe limites para divulgação das chamadas “bets” em festas públicas financiadas com recursos estaduais e municipais. O governo baiano terá 48 horas para implementar as novas exigências, sob risco de multa diária de R$ 50 mil.
Propaganda de apostas terá horário limitado no São João
Entre as principais regras estabelecidas pela Justiça estão a proibição de publicidade em eventos infantis e quadrilhas mirins, além da restrição das propagandas para horários após as 22h.
Também fica vetada a distribuição de brindes, panfletos, QR codes para apostas e abordagens promocionais nas ruas. Artistas e músicos estão proibidos de realizar divulgação das plataformas durante os shows.
Outra exigência prevê a exibição de mensagens de alerta sobre riscos de dependência e prejuízos financeiros sempre que marcas de apostas aparecerem nos telões dos eventos.
Segundo a ação popular, o ambiente junino envolve públicos vulneráveis e exige maior proteção do poder público diante do avanço da publicidade das plataformas de apostas online.
Debate sobre bets cresce no Brasil
O crescimento acelerado das empresas de apostas esportivas vem ampliando debates sobre regulação, publicidade e impacto social no Brasil. Especialistas apontam preocupação principalmente com jovens, pessoas endividadas e beneficiários de programas sociais.
A discussão ganhou ainda mais força após o aumento do patrocínio das bets em eventos culturais, clubes de futebol, shows e festas populares em todo o país.
E talvez exista justamente aí um dos maiores dilemas atuais: enquanto as plataformas movimentam milhões em publicidade e patrocínio cultural, cresce também a preocupação sobre até onde a exposição dessas marcas pode influenciar comportamentos e vícios, principalmente em ambientes familiares e populares como o São João nordestino.
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