
O livro “Cantos de Ancestralidade – Antologia Musical do Ilê Aiyê” será lançado nesta terça-feira em Salvador, reunindo mais de 200 canções que marcaram a trajetória do Ilê Aiyê ao longo de mais de cinco décadas. A publicação celebra o primeiro bloco afro do Brasil, evidenciando a música como forma de memória, resistência e expressão da identidade negra. O evento terá início às 14h na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, durante a cerimônia de encerramento do projeto Música e Educação, sendo gratuito e aberto ao público.
Publicada pelo Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu, a obra destaca a importância da produção musical do Ilê Aiyê, com composições de diversos autores. A programação do lançamento inclui apresentações artísticas, falas de representantes como o presidente do Ilê Aiyê, Antônio Carlos Vovô, e a diretora-executiva do instituto, Valéria Lima, que também é organizadora do livro. O evento contará ainda com a participação de pesquisadores e compositoras como Catarina Lima, Arany Santana e Lindinalva Barbosa.
Um dos momentos especiais será a presença de compositores que fizeram parte da história do Ilê, que compartilharão memórias e histórias sobre as músicas que marcaram época, além de apresentações ao vivo. A programação será encerrada com show da banda mirim Band’Erê, ligada ao bloco afro. O livro busca preservar o patrimônio cultural transmitido pela música e reforçar a valorização da cultura e do legado negro, oferecendo também subsídios para a educação, em consonância com a Lei 10.639/2003 que orienta o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas.
Para Valéria Lima, o livro é uma ferramenta de estudo e homenagem aos compositores que contam a história do povo negro no Brasil e na África. O presidente do Ilê Aiyê ressalta que a música e a poesia contribuem para o resgate da autoestima do povo negro, principalmente das mulheres negras. Este lançamento integra o projeto Música e Educação, realizado por diversas instituições como o Ilê Aiyê, o Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu, o Olodum, a Casa da Ponte – Orquestra Afrosinfônica, em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e com apoio do Ministério da Educação. A iniciativa também marca a retomada das atividades da Escola Mãe Hilda, interrompidas devido à pandemia da Covid-19.