
Uma licença ambiental prévia concedida pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) permitiu o avanço para a implantação de uma usina de hidrogênio verde no estado. O projeto, avaliado em R$ 12 bilhões pelo governo potiguar, terá sua construção e início de operações em datas ainda a serem definidas. A licença foi oficialmente apresentada durante a Hannover Messe 2026, a maior feira de tecnologia industrial do mundo, realizada na Alemanha, pelo diretor-geral do Idema, Werner Farkatt.
Trata-se do Projeto Morro Pintado, que será instalado em Areia Branca, no litoral do Rio Grande do Norte. Embora a licença tenha sido entregue à empresa responsável pela usina no dia 10 de abril, sua divulgação no evento internacional teve como objetivo atrair investidores e parceiros para o empreendimento. A Brazil Green Energy está à frente da construção de uma planta de hidrogênio verde e amônia verde, que contará com uma capacidade instalada de 500 MW e produção estimada em 80 mil toneladas anuais.
O governo do estado destacou que a apresentação da licença na Alemanha ampliou a projeção internacional do projeto, ao demonstrar segurança jurídica e a capacidade institucional do Rio Grande do Norte para acolher projetos desse porte. A licença ambiental foi aprovada após o aval do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema), responsável por regulamentar a atividade de produção de hidrogênio verde em nível estadual.
Ainda neste mês, o governo lançou o Atlas de Hidrogênio Verde, contendo informações técnicas importantes para o desenvolvimento da produção local. Conforme o pesquisador e engenheiro civil Ranieri Rodrigues, do Instituto Senai de Inovação e Energias Renováveis, o documento evidencia que o estado possui potencial para produzir mais de 20 milhões de toneladas anuais utilizando apenas 20% das áreas consideradas aptas, superando a demanda prevista para 2040, que é de 11 milhões de toneladas.
Sobre a questão do uso de água no processo produtivo, Rodrigues explicou que o mapeamento feito já considera a utilização de água de reúso e dessalinizada, o que afasta a dependência de mananciais superficiais ou subterrâneos. Isso reforça a sustentabilidade do hidrogênio verde como uma opção energética do futuro.
O hidrogênio, elemento mais abundante do universo, é normalmente encontrado em combinação, como na água (H₂O). Para ser utilizado como combustível, o hidrogênio precisa ser separado por um processo chamado eletrólise, que consiste em passar uma corrente elétrica para separar o hidrogênio do oxigênio. Quando essa eletricidade provém de fontes renováveis, como solar ou eólica, a produção do hidrogênio é considerada verde, pois envolve baixas emissões de carbono. Atualmente, grande parte do hidrogênio mundial ainda é produzido a partir do gás natural, um combustível fóssil, mas o hidrogênio verde representa uma aposta fundamental na transição para energias limpas.