
Com 90% da produção de combustível sustentável de aviação (SAF) já comercializada antecipadamente, a Acelen Renováveis firmou parceria com a startup europeia Finboot. Essa empresa, que já atende grandes grupos como Repsol, Sabic e Evonik, será responsável pela certificação digital de toda a cadeia produtiva da macaúba cultivada no Recôncavo Baiano. O objetivo é garantir a habilitação do produto nos mercados regulados da Europa e dos Estados Unidos.
A tecnologia adotada, chamada MARCO Track & Trace, utiliza blockchain e tokenização para garantir a auditabilidade desde o plantio nas fazendas até a entrega final do biocombustível. A parceria tem duração inicial de 12 meses e envolve a modelagem das fases da cadeia produtiva, com foco na elegibilidade da terra, produção agrícola, cálculo de emissões e critérios de sustentabilidade. Os dados gerados serão armazenados por até 50 anos conforme exigências internacionais, com atualizações mensais para permitir a avaliação independente de cada lote produzido.
Segundo Pedro Estrela, vice-presidente de novos negócios da Acelen Renováveis, não basta ser sustentável, é imprescindível ser certificado. Ele ressalta que todas as etapas, desde o plantio até a produção do biocombustível, devem ser rastreadas e comprovadas de forma auditável, incluindo monitoramento das emissões e verificação da elegibilidade da terra para garantir o acesso aos mercados regulados. A escolha pela Finboot se deu após processo seletivo que avaliou 30 empresas e selecionou 10 para prova de competência, garantindo uma gestão eficiente da rastreabilidade digital.
Para acessar o mercado europeu que desde 2025 exige a utilização mínima de 2% de SAF no total de combustível, a rastreabilidade se tornou essencial. No Brasil, espera-se que em 2027 seja implementado um mandato nacional semelhante ao CORSIA, apoiado por programas como o ProBioQAV, que definem critérios rigorosos de certificação e rastreabilidade alinhados a padrões internacionais.
O Brasil possui aproximadamente 100 milhões de hectares de terras degradadas, equivalentes a duas vezes o território da Alemanha, que servirão para a expansão do cultivo da macaúba, garantindo que a produção não concorra com áreas destinadas à alimentação. A rastreabilidade digital da macaúba é complementada por uma forte base científica, com investimentos e parcerias firmadas com a Embrapa Agroenergia e outras instituições para domesticação e aprimoramento da palmeira à escala comercial.
A Acelen Renováveis já possui 500 hectares plantados no Recôncavo Baiano, com previsão de ampliar para 1.500 hectares em 2026 e meta de 5.000 hectares incorporados ao sistema de rastreabilidade. Para suportar essa expansão, foi investido R$ 300 milhões em um centro de produção de mudas em Montes Claros (MG), com capacidade para 10 milhões de mudas por ano, permitindo plantios anuais entre 20 mil e 30 mil hectares.
O plano de longo prazo abrange a restauração de 180 mil hectares na Bahia e norte de Minas Gerais, distribuídos em áreas para plantio de macaúba, preservação ambiental e agricultura familiar, com investimento total previsto de US$ 3 bilhões na primeira fase. O desenvolvimento da cadeia produtiva espera gerar 90 mil empregos diretos e indiretos, além de R$ 7,4 bilhões de renda anual às populações locais.
A previsão da Acelen para iniciar a produção de SAF e diesel renovável a partir do óleo de macaúba é 2030, com a instalação da biorrefinaria em São Francisco do Conde (BA). Essa iniciativa visa consolidar a macaúba como um importante insumo para combustíveis renováveis certificados por rastreabilidade digital.