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Mad Dogs baianos e a coragem de surfar as maiores ondas do mundo
27 de janeiro de 2026 / 20:44
Foto: Divulgação

Nos anos 2000, quando o surfe de ondas gigantes era dominado pela técnica do tow-in, em que o surfista é rebocado por jet-ski, três baianos tomaram um caminho diferente e enfrentaram, na remada, uma das ondas mais perigosas do planeta: Jaws (Pe’ahi), no Havaí. Assim surgiu o grupo conhecido como Mad Dogs baianos, formado por Márcio Freire (in memoriam), Danilo Couto e Yuri Soledade.

O apelido “Mad Dogs”, que significa “Cachorros Loucos”, foi dado pelos próprios surfistas e moradores de Maui, impressionados com a ousadia do trio, que encarava ondas de mais de 15 metros sem apoio de jet-skis, coletes infláveis ou equipes especializadas de resgate, algo quase inimaginável diante dos padrões de segurança atuais do surfe de ondas grandes.

Naquela época, a onda Jaws era praticamente exclusiva para o tow-in, devido à sua força, velocidade e à dificuldade de posicionamento para entrar nela. Os Mad Dogs quebraram esse paradigma ao demonstrar que era possível surfar Pe’ahi apenas com preparo físico, leitura do mar e muita força, investindo na remada. Essa iniciativa não só chamou a atenção no Havaí, mas também influenciou a evolução do paddle surfing no mundo inteiro, estimulando outros big riders a investirem em treinos rigorosos para enfrentar ondas gigantes sem auxílio mecânico.

O estilo dos Mad Dogs era marcado por uma abordagem raiz e minimalista: pranchas grandes, forte condicionamento físico e quase nenhum equipamento de segurança, em uma época em que o surfe de ondas grandes ainda não contava com a estrutura profissional dos dias atuais. Essa postura evidenciava um surfe movido pela paixão e pelo desafio pessoal, mais do que por contratos ou patrocínios, transmitindo um espírito de aventura e autenticidade que mantém viva a essência do big surf.

Além das conquistas em Jaws, o legado dos Mad Dogs permanece vivo na nova geração de surfistas baianos que hoje enfrentam ondas gigantes pelo mundo. Um exemplo marcante é Catarina Lorenzo, jovem de Salvador que, aos 18 anos, tornou-se a mais jovem sul-americana a surfar as perigosas ondas de Jaws. Sobrinhas de Márcio Freire, Catarina cresceu ouvindo histórias sobre o local e passou por um processo intenso de preparação, incluindo treinos em outras ondas grandes como Nazaré, em Portugal. Para ela, surfar Jaws representou não só um desafio esportivo, mas também um momento profundo de significado emocional e espiritual.

Catarina também quebra paradigmas ao ser mulher, brasileira e baiana em um ambiente tradicionalmente dominado por homens. Ela acredita que quanto mais mulheres estiverem no line-up, menor será a desigualdade no surfe de ondas gigantes, reforçando que seu feito é parte de um processo de ampliação e inclusão no esporte.

A trajetória de Márcio Freire, Danilo Couto e Yuri Soledade posicionou a Bahia no mapa mundial do surfe de ondas gigantes, mostrando que o Nordeste brasileiro é celeiro de atletas capazes de enfrentar os maiores desafios do esporte. Ao longo de mais de duas décadas, os Mad Dogs baianos permanecem como símbolos de coragem, pioneirismo e autenticidade brasileira, uma história que mistura ousadia, técnica e resistência física, escrita na força do braço.

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