
Na noite da última quinta-feira (2), mais de 20 mil fiéis se reuniram em Serrinha, no norte da Bahia, para participar da tradicional Procissão do Fogaréu. A celebração, que este ano completa 96 anos, é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia desde 2019 e é um dos eventos religiosos mais importantes do calendário local. Durante o percurso, os devotos carregam tochas, velas e lanternas, iluminando a caminhada que simboliza a encenação da Paixão de Cristo.
A procissão tem início com a celebração do lava pés na Catedral de Serrinha, seguida de um trajeto de aproximadamente 5 km até a Colina da Santa, onde ocorre a dramatização da última etapa da vida de Jesus. A emoção e a devoção marcam a participação dos fiéis, que mantêm viva a tradição que atrai centenas de pessoas todos os anos.
Na manhã de sexta-feira (3), outra manifestação religiosa reuniu centenas de fiéis em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia. No Cristo de Mario Cravo, localizado no alto da Serra do Periperi, membros de quatorze paróquias locais caminharam até a escultura, seguindo uma tradição que já dura mais de um século. A peregrinação é vista pelos participantes como um momento de reflexão e conexão espiritual, como relatou Zélia, que acordou às 2h da madrugada para integrar a caminhada.
Esses eventos demonstram a forte religiosidade presente na Bahia, onde a fé se manifesta por meio de rituais que unem centenas e milhares de pessoas em atos de devoção coletiva. A Procissão do Fogaréu, em particular, mantém seu papel cultural e religioso, atraindo multidões e preservando um costume que faz parte da identidade local desde o início do século XX.