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Medicamentos de canetas emagrecedoras podem ajudar no tratamento de vícios
7 de março de 2026 / 11:12
Foto: Divulgação

Um estudo realizado por pesquisadores da Washington University School of Medicine, nos Estados Unidos, revelou que medicamentos utilizados para tratar diabetes e obesidade, frequentemente chamados de canetas emagrecedoras, podem ser úteis na prevenção e tratamento de diferentes tipos de vício. A pesquisa avaliou registros de saúde de mais de 600 mil ex-membros das Forças Armadas americanas, atendidos pelo sistema público de saúde para veteranos, todos com diagnóstico de diabetes tipo 2 e acompanhados por três anos.

Os resultados indicaram que pacientes que utilizaram medicamentos da classe GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, apresentaram um risco reduzido de desenvolver transtornos ligados ao uso de substâncias viciantes. Foram observadas também menores chances de eventos graves como overdose e morte entre aqueles que já tinham dependência química. De acordo com os pesquisadores, o diferencial desses medicamentos é sua ação em uma via biológica comum a vários tipos de vício, em contraste com tratamentos tradicionais que focam em substâncias específicas.

O psiquiatra Roberto Ratkze afirmou que o mecanismo pode estar relacionado ao sistema de recompensa cerebral, pois receptores do hormônio GLP-1 estão presentes na área tegmental ventral, uma região associada à via dopaminérgica mesolímbica, responsável por sensações de prazer e recompensa. O efeito dos medicamentos poderia modular esse sistema, diminuindo o impulso relacionado ao consumo de substâncias que provocam dependência.

Além disso, o estudo também analisou mais de 500 mil pessoas sem histórico anterior de dependência química, constatando que, entre aqueles que usaram medicamentos da classe GLP-1, o risco de desenvolver transtornos relacionados ao vício foi 14% menor. A redução do risco variou conforme a substância: houve queda de 25% para dependência de opioides, 20% para cocaína, 20% para nicotina e 18% para álcool.

Os autores apontam ainda um potencial para o uso futuro dessas medicações no tratamento da dependência de metanfetamina, atualmente sem terapia medicamentosa específica. Apesar dos achados promissores, os cientistas alertam que o estudo foi observacional e realizado com pacientes diabéticos, sendo necessários ensaios clínicos direcionados para avaliar a eficácia desses medicamentos no tratamento de vícios em pessoas sem diabetes ou obesidade. Especialistas recomendam que esses medicamentos não substituam os tratamentos convencionais para dependência química até que novas pesquisas confirmem seus benefícios nesta aplicação.

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