
O mercado de Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs) registrou recordes históricos em janeiro de 2026, confirmando um crescimento estrutural significativo e atraindo um número cada vez maior de investidores. De acordo com o boletim de FIIs da B3, o setor ultrapassou a marca de 3 milhões de investidores, com o patrimônio total chegando a R$ 200 bilhões, representando um aumento de R$ 38 bilhões em comparação com janeiro de 2025.
O volume médio diário negociado também teve um avanço expressivo de 67%, saindo de R$ 321 milhões para R$ 537 milhões. Atualmente, há 434 fundos imobiliários listados, o que demonstra a maturidade e o novo patamar alcançado pelo mercado.
Embora as pessoas físicas detenham 72,9% da custódia dos FIIs e mantenham a estratégia de “buy and hold” para receber dividendos, a participação de investidores institucionais e estrangeiros vem crescendo nas negociações do mercado secundário. Os investidores institucionais já são responsáveis por 40% do volume diário negociado, enquanto os estrangeiros respondem por 18%.
Para acompanhar esse crescimento e garantir a liquidez, a B3 está avaliando a criação de derivativos e a negociação de grandes lotes. Bianca Maria, gerente de produtos da B3, destaca que o desenvolvimento desses derivativos é fundamental para atrair investidores institucionais e não residentes, pois permite a adoção de estratégias mais sofisticadas.
A executiva ressalta que o avanço do mercado de FIIs resulta tanto da entrada de novos recursos quanto da valorização dos fundos já existentes. Ela aponta que o mercado ainda não está saturado e que há espaço para expansão, especialmente pelo aumento da participação de investidores institucionais e estrangeiros que atuam com estratégias de giro e arbitragem.
Os próximos passos da B3 incluem o desenvolvimento do mercado a termo de FIIs, a criação de derivativos e a ampliação do ecossistema desses fundos, contemplando soluções para negociação de grandes lotes e a aceitação dos FIIs como garantia. Segundo Bianca, essa é uma evolução natural, que começa pelo mercado à vista, e segue com a expansão para todo o ecossistema.
Com a expectativa de queda nos juros já precificada para 2026, os FIIs devem continuar sendo uma opção relevante, consolidando-se como investimentos atrativos tanto para investidores de longo prazo quanto para players institucionais e estrangeiros.