
O mercado óptico premium no Brasil está em franca expansão, com destaque especial para o Nordeste, que se consolida como uma região estratégica para o avanço desse segmento. O consumo de marcas de alto valor agregado não está mais restrito às capitais; cresce também em cidades do interior e polos litorâneos, impulsionado por fatores como renda crescente, turismo, estilo de vida e a busca por produtos que aliam moda, identidade e bem-estar.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica), o setor óptico brasileiro faturou R$ 2,58 bilhões em janeiro de 2026, o que representa um crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. No Nordeste, o faturamento da categoria premium atingiu R$ 263,1 milhões em janeiro. A previsão para 2026 indica uma alta de 5,2% no setor, sinalizando a continuidade do crescimento em um mercado que mistura moda, saúde, comportamento e consumo.
Apesar da pressão por custos e competição no setor óptico como um todo, o segmento premium apresenta uma dinâmica diferenciada. Luca Dalla Zanna, diretor geral da Prestige Eyewear, explica que o mercado de alto luxo tem menos exposição à guerra de preços, mas requer uma entrega constante e consistente de valor ao consumidor. Ele ressalta que o desafio está em manter essa proposta de maneira contínua, dado o perfil promissor do mercado.
O Nordeste, segundo Marco Túlio, comunicador e treinador da Prestige, deixou de ser apenas um mercado complementar para ocupar uma posição estratégica na distribuição de óculos de luxo e nicho no país, com um público significativo não só nas grandes capitais, mas também em óticas de sucesso espalhadas pela região. O desempenho é especialmente notável em itens de maior valor agregado, como os da marca Cartier, que, segundo ele, tem no Nordeste um dos seus melhores mercados, com produtos que podem ultrapassar R$ 11 mil.
A expansão do mercado premium está ligada a uma combinação de fatores: poder de compra, fortalecimento de negócios locais e um estilo de vida associado ao lazer e ao litoral. A capilaridade da distribuição também evidencia essa tendência, pois, dos cerca de 1,2 mil pontos aptos a comercializar produtos premium no Brasil, pouco mais de 30% estão localizados nas regiões Norte e Nordeste. Isso demonstra que os consumidores não precisam mais se deslocar para os grandes centros do Sul e Sudeste para adquirir marcas globais.
Além do luxo tradicional, o Nordeste também se destaca em segmentos de óculos ligados a saúde, moda e consumo aspiracional. Para a JR-Adamver, fabricante das marcas Mormaii, Colcci e YouY, a região tem forte afinidade com atributos ligados ao ar livre, brasilidade e estilo de vida, especialmente para a Mormaii, que dialoga com o clima e o perfil da região. A Colcci, por sua vez, atinge consumidores que buscam moda e sofisticação como expressão pessoal, fortalecendo o mercado aspiracional.
Os lançamentos para 2026 refletem essa diversificação e reposicionamento das grandes grifes. A Valentino destaca-se com coleções que reforçam elegância e individualidade, enquanto a Cartier apresenta armações em titânio leve que combinam conforto e design. Chloé avança no uso de materiais reciclados e lentes com menor impacto ambiental, e a Gucci expande seu repertório, transitando entre maximalismo e minimalismo. Já a Mormaii segue focada em performance e bem-estar, a Colcci aposta em tendências de moda, e a YouY oferece modelos democráticos e atemporais.
Esses movimentos são evidenciados na Expo Óptica 2026, realizada de 8 a 11 de abril, em São Paulo, que reúne mais de 140 participantes e promete superar o público da edição anterior, consolidando o crescimento do mercado óptico premium e a importância do Nordeste nesse cenário.