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Mercado reduz expectativa e manutenção da Selic em 15% ganha força
15 de março de 2026 / 12:28
Foto: Divulgação

As previsões do mercado financeiro para o próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) tornaram-se mais cautelosas nos últimos dias. A chance de um corte mais expressivo na taxa básica de juros diminuiu, enquanto a possibilidade de uma redução menor ou até a manutenção da taxa atual ganhou relevância.

A reunião do Copom do Banco Central do Brasil está agendada para quarta-feira, 18 de abril. Até pouco tempo atrás, grande parte dos investidores esperava uma queda de 0,50 ponto percentual na Taxa Selic. No entanto, a expectativa dominante mudou para um corte de 0,25 ponto.

Dados das operações com derivativos na B3 indicam essa alteração no sentimento do mercado. No começo de março, a probabilidade de um corte de 0,50 ponto estava em torno de 65%, enquanto a chance de redução de 0,25 ponto era cerca de 26%. A possibilidade de manter a taxa era menor.

Na última semana, porém, essa visão sofreu mudanças significativas. A expectativa para corte de 0,25 ponto passou a cerca de 53%, a de corte maior caiu para aproximadamente 23% e a chance de manutenção da Selic em 15% ao ano subiu para cerca de 25%.

Embora o mercado ainda veja um espaço para o início do ciclo de redução dos juros, a probabilidade de o Banco Central postergar essa flexibilização tornou-se a maior desde janeiro. Na reunião de janeiro, o Copom havia sugerido que o ciclo de queda poderia começar em março.

Inflação contribui para cautela

Um dos principais motivos para essa mudança de expectativa foi a divulgação do índice oficial de inflação. O IPCA registrou alta de 0,70% em fevereiro, superando as estimativas do mercado, embora a inflação acumulada em 12 meses tenha caído de 4,44% para 3,81%.

Especialistas destacam que, apesar da desaceleração anual, a composição do índice apresentou sinais menos positivos, com componentes mais persistentes, como serviços e núcleos inflacionários, continuando sob pressão.

Relatórios de instituições financeiras destacam que esses indicadores apontam para uma desaceleração irregular da inflação, o que limita a margem para cortes mais agressivos dos juros em curto prazo.

Alta do petróleo reforça preocupação

Outro fator que ampliou a cautela foi o aumento recente do preço do petróleo no mercado internacional, motivado pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. Essa valorização reacendeu preocupações sobre possíveis aumentos nos preços dos combustíveis e impactos na inflação doméstica.

Estimativas indicam que um reajuste significativo nos combustíveis poderia pressionar ainda mais o índice de preços, dificultando a adoção de um ciclo rápido de redução da Selic.

Divergências entre analistas

Apesar do cenário mais conservador, alguns analistas ainda defendem a possibilidade de um corte maior já na próxima reunião, considerando que o Banco Central pode entender os choques externos, como o do petróleo, como temporários e optar por iniciar a queda dos juros de maneira mais decisiva.

Contudo, mesmo entre esses analistas, há consenso de que o espaço para reduções mais agressivas diminuiu no atual contexto.

Dessa forma, a expectativa predominante no mercado é que o Banco Central adote uma postura prudente ao iniciar o ciclo de flexibilização da política monetária.

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