
A abertura dos mercados financeiros na segunda-feira, 5, ocorre em meio à ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, fato que deve aumentar a volatilidade, principalmente nos contratos futuros de petróleo, câmbio e em ativos de países emergentes. Analistas destacam que o episódio gera um prêmio de risco no curto prazo, especialmente devido ao temor de impactos na operação da estatal petrolífera venezuelana, a PDVSA.
Durante o domingo, os preços do petróleo oscilaram; inicialmente em queda, passaram a registrar leve alta. Por volta das 22h (horário de Brasília), o barril de WTI avançava 0,12%, cotado a US$ 57,38, enquanto o Brent crescia 0,21%, a US$ 60,89. A decisão da Opep+ de manter os cortes na produção até o primeiro trimestre de 2026 deve sustentar os preços no curto prazo, mas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre possível reestruturação da indústria petrolífera venezuelana podem alterar o equilíbrio do mercado em médio e longo prazos, aumentando a oferta global.
No mercado de câmbio, a expectativa é pelo fortalecimento do dólar frente a moedas de países emergentes, com o real também sofrendo pressão devido à proximidade geográfica do conflito e maior percepção de risco na América Latina. Investidores tendem a buscar ativos considerados mais seguros nesse contexto.
A situação complicou-se ainda mais com a posição da China, que exigiu a libertação imediata do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Segundo analistas, essa atitude eleva a incerteza ao transformar a crise em um foco de tensão entre grandes potências, o que pode afetar fluxos comerciais e financeiros globais.
No Brasil, o impacto no mercado acionário é ambíguo. A crescente tensão geopolítica pode sustentar as ações ligadas ao petróleo de modo temporário, porém a perspectiva de aumento estrutural da oferta global pode pressionar os preços a longo prazo. No Ibovespa, espera-se que investidores busquem ativos mais resilientes devido à incerteza externa crescente.
No mercado internacional, a resposta inicial se revelou mais significativa nos mercados futuros do que nas negociações regulares. Além disso, os investidores acompanham os eventos corporativos durante a CES 2026, em Las Vegas, que também influenciam o humor dos mercados globais durante a semana. Assim, a ofensiva dos EUA na Venezuela marca o começo da semana com elevada volatilidade nos mercados financeiros globais.