
Diante das dificuldades enfrentadas pela União Europeia (UE) para finalizar o acordo comercial com o Mercosul, o bloco sul-americano tem se movimentado para avançar em negociações com outros parceiros estratégicos. Essa estratégia ocorre em meio ao crescente interesse global no mercado consumidor da América do Sul e em seus recursos naturais, especialmente minerais críticos, enquanto a UE segue dividida após mais de 25 anos de negociações infrutíferas.
Na cúpula de líderes do Mercosul e países associados, realizada em Foz do Iguaçu (PR), autoridades expressaram insatisfação com o novo adiamento do acordo pelo bloco europeu, atribuindo a demora à resistência de setores agrícolas em países como França, Itália e Polônia. Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que sem vontade política não será possível concluir a negociação e reafirmou que o Mercosul continuará buscando acordos com outras nações.
O destaque das negociações tem sido países como Emirados Árabes Unidos, Canadá e Índia, especialmente em razão das incertezas provocadas pela indefinição da União Europeia e pelas mudanças no comércio mundial influenciadas pelas tarifas dos Estados Unidos. Além disso, Japão e Reino Unido acompanham atentamente o cenário. O embaixador japonês no Brasil, Yasushi Noguchi, declarou que Tóquio demonstra interesse no resultado das negociações, ressaltando a competição direta entre empresas japonesas e europeias no mercado sul-americano.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, cancelou a participação na cúpula após a UE não obter apoio suficiente para a aprovação do acordo. Autoridades europeias indicam a possibilidade de ratificação em janeiro, enquanto líderes do Mercosul permanecem expectantes, porém alertam que o prazo não é indefinido. A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni afirmou que poderá apoiar o acordo caso haja mais tempo para a articulação interna.
Estimativas da Bloomberg Economics apontam que o acordo UE-Mercosul poderia impulsionar a economia dos países do Mercosul em até 0,7% até 2040, e a da Europa em 0,1%, além de gerar impactos geopolíticos relevantes. Paralelamente, o Mercosul já firmou um acordo de livre-comércio com o bloco EFTA, que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, e projeta concluir negociações com Emirados Árabes Unidos e Canadá até 2026, avançando também em diálogos com outras regiões e Estados.