
O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um importante passo para ampliar o atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Maranhão, com a habilitação de um novo Centro Especializado em Reabilitação (CER) em Zé Doca. Com investimento de aproximadamente R$ 2,3 milhões do governo federal, a iniciativa visa ampliar o acesso a serviços de reabilitação física e intelectual para a população da região. A ação foi lançada em 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, reforçando o compromisso com a melhoria da assistência a pessoas com TEA no estado.
Esta medida faz parte de um conjunto maior de ações para promover o diagnóstico precoce e garantir atendimento especializado a crianças e adultos que vivem com autismo. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a rede está sendo estruturada para oferecer suporte desde a identificação inicial na atenção primária até o atendimento multidisciplinar nos centros especializados. “Esse investimento fortalece os serviços em todo o país e assegura maior qualidade de vida para crianças e suas famílias”, afirmou.
No âmbito nacional, o Ministério da Saúde está destinando R$ 83,3 milhões para habilitar 59 novos serviços, que incluem não só os Centros Especializados em Reabilitação, mas também oficinas ortopédicas, transporte adaptado e incentivos adicionais para o atendimento a pessoas com autismo. A expansão da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD) contempla 20 estados, com a criação de 19 novos centros e ampliação de três unidades existentes para incluir modalidades como atendimento auditivo, intelectual, físico e visual. Com isso, o SUS passará a contar com 361 centros especializados, sustentados por um investimento anual superior a R$ 1 bilhão.
Além disso, 20 dos novos serviços habilitados receberão um incentivo extra de 20% para atendimento a pessoas com TEA, somando um aporte de R$ 37 milhões por ano. O pacote de investimentos inclui também a implantação de duas oficinas ortopédicas e a entrega de três veículos adaptados para o transporte de pacientes que necessitam de acessibilidade especial.
Os dados oficiais indicam que os atendimentos a pessoas com autismo no SUS cresceram significativamente, aumentando 84% entre 2022 e 2025, o que representa uma expansão de 12 milhões para mais de 22 milhões de procedimentos realizados. No orçamento, os investimentos para consultas, exames e internações saltaram de R$ 119,3 milhões, em 2022, para R$ 221,8 milhões em 2025.
Além disso, o SUS utiliza ferramentas inovadoras para o diagnóstico precoce do TEA, como o M-CHAT, um questionário que serve para identificar sinais de autismo em crianças entre 16 e 30 meses e que está disponível na Caderneta Digital da Criança e no sistema e-SUS APS. O uso desta ferramenta e de entrevistas digitais de acompanhamento tem possibilitado que cerca de 129 mil crianças sejam atendidas desde julho de 2025, promovendo diagnósticos mais precisos e encaminhamentos mais adequados.
O Ministério da Saúde também investe na capacitação dos profissionais que atuam na assistência a pessoas com TEA, por meio da oferta de guias e cursos especializados, além de parcerias com instituições como o Instituto Santos Dumont (ISD), que implementa programas de treinamento de cuidadores baseados em metodologias reconhecidas internacionalmente. Essas iniciativas ampliam a qualidade do atendimento, alinhando as práticas integradas em todo o país e promovendo o desenvolvimento infantil e o suporte na primeira infância.