
O Ministério da Saúde deu início esta semana a um programa pioneiro no Brasil que visa capacitar famílias e cuidadores de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou deficiência. O país tornou-se o primeiro nas Américas a implementar essa iniciativa como política pública. Desenvolvido internacionalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Unicef, o programa está presente em mais de 30 países e traz estratégias para o cuidado diário, apoio no desenvolvimento infantil e redução de comportamentos desafiadores, além de ampliar o acesso a intervenções precoces e de qualidade, mesmo antes do diagnóstico formal do TEA.
Chamado Caregiver Skills Training (CST), ou treinamento de habilidades para cuidadores, o programa teve seu primeiro treinamento prático realizado no Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont (ISD), em Macaíba, região da Grande Natal. O evento contou com a presença de três formadores internacionais da OMS e reuniu 24 profissionais que serão responsáveis pela supervisão e implementação da iniciativa no Brasil. Estes profissionais, que já iniciaram a formação virtual em 2025, devem concluir o processo em junho de 2026.
O ISD foi escolhido por abrigar o Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, uma referência nacional na reabilitação e cuidado à pessoa com deficiência. Durante o treinamento, os supervisores participaram de aulas teóricas e práticas, envolvendo famílias e crianças. Uma das primeiras beneficiadas no processo foi Robervânia Souza, mãe de um menino de 2 anos com suspeita de autismo, que relatou melhorias na fala do filho após poucos dias de acompanhamento.
Para a fonoaudióloga Luana Aprígio, que participou das atividades, o impacto do programa é notório em pouco tempo, transformando a relação entre famílias e crianças. O Ministério da Saúde planeja que esses supervisores capacitem 240 instrutores em todos os estados, que por sua vez formarão facilitadores responsáveis por conduzir as atividades diretamente com as famílias. Essa estrutura visa alcançar, ainda em 2026, cerca de 1,3 mil famílias e, em 2027, expandir o acesso para até 72 mil famílias em todo o país.
Arthur Medeiros, coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, destacou a importância do trabalho precoce para o desenvolvimento de crianças com TEA ou outras deficiências, explicando que o programa é padronizado pela OMS e orienta os próprios cuidadores no estímulo diário das crianças. A iniciativa integra o Programa Agora Tem Especialistas e está alinhada ao Novo Viver sem Limite, dentro da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência do SUS.
O programa será voluntário e dependerá da adesão dos gestores estaduais e municipais de saúde, que indicarão os profissionais para participarem da formação. O Ministério da Saúde prevê investir aproximadamente R$ 13 milhões até 2030 para a implementação e qualificação dos profissionais nos Centros Especializados em Reabilitação, com cerca de R$ 2 milhões destinados para as ações iniciais em 2026.