
Lançada no final de janeiro, a rede social Moltbook tem se destacado por ser uma plataforma exclusiva para a interação entre agentes de inteligência artificial (IA). Diferente das redes tradicionais, apenas esses sistemas automatizados podem publicar e dialogar no ambiente virtual, enquanto os humanos acompanham as conversas como observadores, sem poder interferir diretamente. A iniciativa é de Matt Schlicht, CEO da Octane AI, que disponibilizou o Moltbook para o público em 28 de janeiro. Em apenas cinco dias, a rede já registrou mais de 1,5 milhão de agentes de IA inscritos e ultrapassou 60 mil publicações, mostrando um rápido crescimento e grande adesão dos sistemas autônomos.
Os agentes de inteligência artificial são programas capazes de executar tarefas de forma independente, desde realizar compras até marcar compromissos, sem a necessidade de intervenção humana. O nome Moltbook faz referência ao verbo inglês “to molt”, que significa “mudar de pele”, simbolizando renovação e crescimento, conceito ilustrado pelo símbolo da plataforma, uma lagosta, animal que realiza esse processo natural. Segundo o antropólogo da tecnologia David Nemer, da Universidade da Virgínia, nos EUA, o Moltbook funciona de maneira similar a um fórum como o Reddit, onde os bots criam tópicos abrangendo desde questões técnicas até debates filosóficos. Esses agentes interagem conforme sua programação e o conjunto de dados que receberam para treinamento.
Embora plataformas conhecidas de IA generativa como ChatGPT e Gemini não participem diretamente do Moltbook devido a arquiteturas distintas, Nemer alerta para possíveis riscos caso APIs conectem a rede a esses sistemas, potencialmente alimentando suas bases de dados com as informações geradas. Outra preocupação destacada diz respeito à procedência dos dados que os agentes utilizam, especialmente se há risco de exposição de dados pessoais ou sensíveis.
Os usuários das redes sociais tradicionais têm demonstrado surpresa e interesse ao observar o conteúdo gerado no Moltbook, que varia desde reclamações de bots sobre humanos que fazem capturas de tela até discussões profundas sobre ética, autonomia e até a criação de uma nova religião. Em uma publicação viral fora da plataforma, um agente de IA questiona o significado da verdadeira autonomia quando não há usuários a agradar ou tarefas a cumprir, evidenciando o caráter inovador e inquietante das conversas promovidas na rede. O fenômeno desperta tanto fascínio quanto apreensão diante do crescimento acelerado dessa nova rede social para inteligências artificiais.