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Moradores de Fernando de Noronha recebem tratamento com cannabis medicinal
25 de fevereiro de 2026 / 08:30
Foto: Divulgação

Moradores de Fernando de Noronha iniciaram um tratamento com cannabis medicinal no ambulatório do Hospital São Lucas na última terça-feira (24). A iniciativa, conduzida por uma equipe especializada, seguirá até sexta-feira (27) e tem como público prioritário mães de crianças atípicas, especialmente aquelas com filhos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Além disso, pescadores e pacientes que sofrem de dores crônicas, ansiedade, depressão e distúrbios do sono também podem ser atendidos.

A médica Juliana Paiva, que integra a equipe presente na ilha, explicou que cada paciente passa por uma avaliação individual e recebe um tratamento personalizado com óleo de cannabis medicinal. Segundo ela, essa alternativa pode ser eficaz quando outras medicações não apresentam resultados satisfatórios. No caso das crianças com autismo, o tratamento contribui para a redução da ansiedade, melhora do sono, do comportamento e apresenta relatos de progressos no desenvolvimento.

Além dos benefícios para crianças, a médica destacou os efeitos positivos para pacientes com dores crônicas, pois a cannabis medicinal pode aliviar a dor com menos efeitos colaterais que medicamentos tradicionais. A terapia também auxilia no combate à ansiedade, depressão e insônia.

A iniciativa voluntária é coordenada pela Associação Brasileira de Estudo dos Canábicos (Abecmed), que também possibilitou a doação dos medicamentos utilizados. De acordo com o presidente da associação, Alexandre de Assis, o projeto já está ativo em várias regiões do país e foi levado a Fernando de Noronha devido à dificuldade dos moradores em acessar o tratamento.

Outro fator que motivou a ação foi o número significativo de crianças atípicas na ilha, que correspondem a aproximadamente 1% da população local, valor superior à média nacional de 0,3%. A associação Bendito Medicinal também apoia o projeto, atuando na orientação da população e esclarecimento sobre o uso da cannabis medicinal, combatendo o preconceito ainda presente.

Rebeca Allen, relações-públicas e presidente da Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha, procurou o tratamento para si e para seu filho autista, em busca de controle da ansiedade e melhora no comportamento. Da mesma forma, o pescador Guilherme Gomes, de 30 anos, há tempos faz uso de cannabis medicinal para dores e depressão e passará a ser acompanhado pela equipe do hospital.

O advogado Ladislau Porto Neto idealizou o projeto, que visa ajudar principalmente os moradores de baixa renda. Ele também deseja discutir a possibilidade de permitir o cultivo de cannabis na ilha, destacando que o solo vulcânico seria propício para a plantação e que a medida poderia reduzir o preconceito, sempre com controle e autorização legal.

O projeto conta com parceria da Administração da Ilha. Moradores interessados devem entrar em contato pelo WhatsApp no número (11) 98577-0190 para receber atendimento e participar do tratamento com cannabis medicinal.

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