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Mulher única aprovada no curso da Força Tática do Piauí relata rotina intensa
7 de fevereiro de 2026 / 11:28
Foto: Divulgação

Gabriela Lopes Soares, de 31 anos, entrou para a história da Polícia Militar do Piauí (PMPI) ao se tornar a primeira e única mulher aprovada na primeira edição do Curso da Força Tática da corporação. A conquista ganha ainda mais relevância diante do alto nível de exigência do processo seletivo, no qual apenas 42 candidatos, entre dezenas de inscritos, conseguiram superar todas as etapas eliminatórias e classificatórias.

O feito de Gabriela representa não apenas uma vitória individual, mas também um marco simbólico para a presença feminina em unidades operacionais de alta complexidade, tradicionalmente ocupadas por homens. Ao longo de sua preparação, a policial precisou conciliar múltiplos papéis: mãe, esposa, policial militar e responsável pelas tarefas domésticas, enfrentando uma rotina intensa que exigiu planejamento, resiliência e disciplina constantes.

“Sou esposa, mãe e policial, com uma rotina intensa de plantões e responsabilidades. Conciliar tudo isso com a preparação para o TAF e o curso da Força Tática não foi fácil, mas foi um processo de muita organização, disciplina e propósito”, relatou Gabriela, destacando os desafios enfrentados ao longo do caminho.

Segundo ela, um dos fatores determinantes para manter o foco foi contar com uma rede de apoio sólida, além de acompanhamento profissional, o que permitiu atravessar os períodos de maior desgaste físico e emocional. Mesmo nos dias mais cansativos, a constância foi fundamental para alcançar o desempenho exigido pelo curso.

O Curso da Força Tática, cuja primeira etapa foi concluída em dezembro do ano passado, tem como objetivo capacitar policiais militares para atuar em situações de alto risco, como operações de enfrentamento ao crime organizado, intervenções táticas e ações que exigem rápida resposta operacional. A formação é reconhecida pelo elevado grau de exigência técnica, física e psicológica, sendo considerada uma das mais desafiadoras dentro da corporação.

Durante as avaliações físicas, os candidatos foram submetidos a uma série de provas rigorosas, incluindo abdominais, teste de isometria, corrida de 12 minutos, flexão de braços e deslocamento em meio líquido, atividades que demandam força, resistência, explosão muscular e preparo cardiovascular. A taxa de eliminação ao longo do processo reforça o nível de dificuldade do curso.

Gabriela já atuava na área operacional havia mais de dois anos e, diante da intensidade da preparação necessária, buscou o apoio de uma nutricionista para potencializar seus treinos e melhorar sua recuperação física. A rotina, no entanto, não era fixa, justamente pelas diversas responsabilidades pessoais e profissionais.

“Minha rotina de treino não era fixa, porque eu tinha que me dividir entre as demandas de casa, do meu filho e do trabalho. Era nos dias que eu tinha folga. Então, tinha dias que eu conseguia treinar duas vezes no dia e tinha dias que eu não conseguia”, explicou a policial, ressaltando a necessidade de adaptação constante.

A nutricionista Carla Barbosa, responsável pelo acompanhamento alimentar de Gabriela, destacou que a nutrição foi decisiva para o desempenho físico durante a preparação. Segundo ela, o protocolo alimentar foi ajustado para um modelo de alta performance, considerando as necessidades específicas do corpo feminino diante de cargas intensas de treino.

“Ajustamos o protocolo nutricional para um modelo de alta performance. Mulheres precisam desenvolver força, resistência e recuperação muscular de maneira muito estratégica para atender às altas exigências físicas desses cursos. Hoje é possível ver claramente que a preparação alimentar teve impacto direto na performance e no resultado incrível que ela conquistou”, afirmou Carla.

Atualmente, a segunda edição do Curso da Força Tática da PMPI já está em andamento e poderá aprovar até 65 candidatos, ampliando o número de policiais qualificados para atuações táticas especializadas. A expectativa é de que novas edições continuem abrindo espaço para profissionais cada vez mais preparados — e que trajetórias como a de Gabriela inspirem outras mulheres a ingressar e se destacar em áreas operacionais da segurança pública.

A história de Gabriela Lopes Soares reforça que determinação, planejamento e apoio adequado são capazes de romper barreiras e redefinir espaços, consolidando avanços importantes na construção de uma polícia mais diversa, qualificada e representativa.

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