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Mulheres ampliam protagonismo e transformam a indústria têxtil brasileira
28 de março de 2026 / 11:25
Foto: Divulgação

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a indústria têxtil brasileira destaca um dado importante: cerca de 64% da força de trabalho do setor são mulheres, conforme a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção. Embora predominem nas operações, o crescimento feminino em cargos de liderança ainda enfrenta desafios, porém apresenta evolução gradual. É nesse contexto que o percurso de Ana Cecília César ganha relevância.

Ana Cecília é diretora da Ficamp S/A Indústria Têxtil, onde contribui para a inovação e crescimento sustentável. Sua história na empresa começou desde cedo, acompanhando o negócio de perto desde seus primeiros anos, influenciada por seu pai empreendedor. Graduada em Direito, ela ingressou na indústria ocupando funções operacionais e expandiu sua experiência em diversas áreas até chegar à liderança.

Em entrevista exclusiva, Ana Cecília contou que sua trajetória foi construída passo a passo dentro da Ficamp, o que lhe proporcionou um conhecimento prático completo da cadeia produtiva. Para ela, esse aprendizado constante foi fundamental para sua formação como gestora em um segmento que exige conhecimento técnico aliado a visão estratégica.

“Sou formada em Direito, mas sempre tive um perfil empreendedor, inspirado pelo meu pai. Ao iniciar na Ficamp, comecei no almoxarifado, passei por todas as etapas da indústria, conheci fornecedores e equipamentos, o que me deu o conhecimento que tenho hoje”, afirmou.

Fundada em 1999 e apoiada pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a Ficamp iniciou produzindo 240 toneladas mensais de fios de algodão, chegando hoje a cerca de 700 toneladas, tornando-se referência no estado da Paraíba. A empresa acumula prêmios, como os do SESI, que destacam a qualidade do ambiente de trabalho.

Nos últimos anos, a Ficamp realizou um reposicionamento estratégico focado na sustentabilidade, adotando práticas de economia circular com uso de algodão reciclado, alinhando-se às demandas ambientais globais e às exigências do mercado.

Do resíduo ao valor: a sustentabilidade como estratégia

Ana Cecília explicou que o foco em reciclados surgiu da necessidade do polo têxtil paraibano, principalmente da região de São Bento, e evoluiu para projetos que ampliam o mercado com inovação. A sustentabilidade é vista como uma vantagem competitiva e resposta às demandas ambientais, já que a indústria têxtil é uma das mais poluentes no mundo.

“Optamos pelo segmento reciclado baseado nas demandas locais. Estamos investindo em economia circular para reduzir o impacto ambiental. No exterior, especialmente na Europa, isso é uma exigência e o Brasil deve avançar também com legislação e metas para materiais reciclados”, explicou.

O paradoxo feminino na indústria têxtil

Além das mudanças produtivas, o avanço das mulheres na liderança evidencia uma nova fase do setor. Segundo a ABIT, apesar das mulheres representarem até 77,7% da base operacional em alguns segmentos, ocupam somente 24,1% dos cargos de comando nas empresas de vestuário no país. Esse avanço, ainda que lento, mostra transformações culturais e estruturais.

Para Ana Cecília, a liderança feminina ainda enfrenta barreiras, principalmente em áreas historicamente masculinas, com espaços decisórios predominantemente compostos por homens, fazendo da presença feminina um agente de mudança e quebra de paradigmas.

“A indústria têxtil sempre foi dominada por homens, sobretudo em cargos de liderança. Participar de reuniões onde há apenas homens é comum, então a entrada das mulheres representa uma transformação. Hoje vejo cada vez mais mulheres em posições importantes e isso deve crescer”, destacou.

Jornadas múltiplas e estilos de liderança feminina

A diretora ressaltou ainda o desafio da jornada múltipla das mulheres, que conciliam carreira, família e outras responsabilidades. Essa realidade requer organização e resiliência, características que influenciam positivamente o perfil de liderança feminina.

Ana Cecília enfatizou que o equilíbrio entre razão e emoção, junto a uma visão abrangente, pode diferenciar a presença feminina na gestão. Contudo, reconheceu que barreiras culturais, especialmente no Nordeste, persistem devido ao machismo estrutural presente no ambiente corporativo.

“Conciliar tudo não é fácil. Muitas mulheres vivem uma jornada tripla: profissional, mãe e apoio à família. Vejo que elas estão mais determinadas e buscando crescimento. Meu conselho é ter força, resiliência e paciência para alcançar os objetivos”, afirmou.

O futuro é feminino e sustentável

Ana Cecília simboliza uma geração de mulheres que conquistam espaço e redefinem o papel feminino na economia, principalmente na indústria têxtil, que historicamente empregou muitas mulheres. O desafio agora é ampliar essa presença também nos postos estratégicos, e histórias como a dela indicam que essa evolução está em curso.

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