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Mulheres assumem maior parte das decisões familiares após mortes, indicam especialistas
7 de março de 2026 / 08:35
Foto: Divulgação

Com a chegada do Dia Internacional da Mulher, especialistas destacam uma questão pouco discutida sobre a desigualdade de gênero: a distribuição das responsabilidades familiares após a morte de um parente. Embora o luto envolva todos os familiares, as decisões práticas costumam ser conduzidas principalmente por mulheres.

Dentre as atribuições que recaem sobre filhas, esposas ou irmãs estão a organização do velório e sepultamento, a resolução de documentos e questões legais, além da mediação das decisões entre os parentes. Essa dinâmica está conectada à “economia do cuidado”, conceito que abrange as atividades de assistência e organização familiar historicamente designadas às mulheres.

Conforme pesquisa do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, aproximadamente 75% do trabalho de cuidado não remunerado em nível global é realizado por mulheres. Essa lógica permanece mesmo nos momentos de perda, quando além da dor, muitas mulheres assumem a responsabilidade pelas decisões práticas e administrativas necessárias.

Simône Lira, psicóloga especialista em luto do Grupo Morada — que administra as marcas Morada da Paz, Morada da Paz Essencial e Morada da Paz Pet — ressalta que o acúmulo dessas responsabilidades pode dificultar o processo de elaboração da perda. Ela explica que, quando existe vínculo de cuidado, surge uma forte sensação de responsabilidade pela saúde do familiar e, após a morte, frequentemente um sentimento intenso de culpa.

A psicóloga destaca que a necessidade de resolver burocracias logo após o falecimento influencia na vivência do luto. Muitas mulheres precisam suspender temporariamente seus sentimentos para cuidar de documentos, decisões familiares e organização do funeral, e quando finalmente têm tempo para sentir a perda, já estão novamente envolvidas com as demandas diárias.

Esse excesso de funções e a falta de espaço para o luto podem impactar negativamente a saúde mental, potencializando quadros de ansiedade e depressão em mulheres cuidadoras. Para minimizar essa dureza, Simône reforça a importância de ampliar o diálogo familiar sobre a morte e incentivar o planejamento antecipado das decisões relacionadas ao fim da vida.

Planejar previamente esses aspectos, segundo a especialista, ajuda a diminuir a carga emocional e prática que geralmente recai sobre uma única pessoa da família. Nesse sentido, o planejamento antecipado de serviços funerários surge como uma alternativa eficaz para reduzir o volume de decisões burocráticas no momento do falecimento, pois planos de assistência funeral permitem organizar parte dessas questões com antecedência e aliviam a pressão sobre quem conduz a despedida.

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