
Lucas Ferraz, músico baiano de Salvador, transformou uma interação online em uma amizade real com Slash, renomado guitarrista do Guns N’ Roses, e chegou a abrir a turnê do ídolo ao redor do mundo. Em 2010, ao criar uma conta no X para interagir com Slash, Lucas foi notado pelo músico ao fazer perguntas técnicas sobre equipamentos, fugindo do comum tema das brigas da banda.
A paixão de Lucas por Slash surgiu ainda na infância, inspirada pelo show do Guns N’ Roses no segundo Rock in Rio em 1991. Essa admiração levou o baiano a formar uma banda local chamada Carpe Beer, que fez parte da cena de rock de Salvador nos anos 1990. A relação entre Lucas e Slash evoluiu pelo tempo, com o guitarrista norte-americano passando a segui-lo e mantendo diálogos frequentes nos bastidores do seu primeiro disco solo.
Quando Slash marcou um show em Luxemburgo, onde Lucas reside desde 2007, o músico convidou o baiano para se conhecerem. Lucas propôs abrir a apresentação e, mesmo sem uma banda formada na época, conseguiu montar o grupo Porn Queen em poucos meses, unindo amigos baianos e músicos locais. A banda estreou com Slash diante de 6 mil pessoas, recebendo do guitarrista um tratamento de amigo e parceiro.
Além de Luxemburgo, a Porn Queen abriu shows de Slash em Paris, Porto Alegre e Rio de Janeiro, e também participou de turnês por 16 países europeus, tocando com artistas como Hollywood Vampires. Essa experiência marcou Lucas, que na época conciliava a música com uma carreira como analista de crédito.
A parceria terminou em 2020, quando Lucas seguiu em carreira solo. Em julho deste ano, ele abrirá o show de Lenny Kravitz em Luxemburgo, ampliando seus sonhos musicais. Também prepara o lançamento de um disco com participação do guitarrista baiano Martim Mendonça.
A vinda do Guns N’ Roses a Salvador em 2024 reacendeu memórias e alegrias em Lucas, que celebrou a chance de seus amigos assistirem ao show na Arena Fonte Nova. Para ele, isso também representa uma valorização dos grandes shows em cidades brasileiras fora do eixo Rio-São Paulo, incentivando mais oportunidades para artistas locais. Lucas destaca que o público deve aproveitar a experiência única de presenciar a história no palco, independentemente das expectativas sobre as performances originais dos músicos.